Espaço Acadil | Não subestime o valor do seu conhecimento
Outro dia, na fila do pão, ouvi um rapaz dizer com convicção de oráculo:
— Ah, mas hoje em dia, conhecimento não vale nada. Tudo se acha no Google.
Fiquei quieto. Afinal, não se debate filosofia entre as baguetes e os sonhos recheados. Mas pensei: se fosse assim, bastava dar um livro de anatomia a alguém e ele operaria corações. Bastava ler uma receita e nascia um chef.
Mas conhecimento não é só informação. É o que a gente faz com ela. É o caminho entre o saber o que é uma vela e acender uma num momento escuro.
Minha avó — mulher sábia, mesmo sem diploma — dizia que conhecimento é como fermento: uma pitada muda tudo. E ela sabia. Fazia bolos que ensinavam mais que muito tratado. Sabia o tempo da chuva pela dor no joelho, o humor do dia pelo silêncio dos passarinhos. Nunca “estudou”, mas conhecia a vida como quem decora um poema: de olhos fechados.
O valor do conhecimento está naquilo que ele evita: o erro repetido, a palavra mal dita, o passo em falso. Ele está em quem se cala para escutar, porque já aprendeu que falar é fácil, entender é raro.
Em tempos de inteligência artificial e certezas de um clique, o verdadeiro luxo é saber o que perguntar. E, talvez mais ainda, saber o que calar.
Então, não subestime o valor do conhecimento. Ele pode não gritar, mas salva vidas. Não estampa manchete, mas decide destinos. E, acima de tudo, é o único tesouro que, quando dividido, não diminui — multiplica.
Roberto Melo Mesquita
Cadeira nº 33 I Patrono Capitão Bento Dias Pacheco

