Espaço Acadil | Um Assalto na Estrada Parque

No final da década de 1960, ingressei no curso noturno de Economia da Faculdade “Padre Anchieta”, em Jundiaí. Morando em Cabreúva, o deslocamento era difícil. Meus irmãos deixavam-me na Fazenda Pinhal, a sete quilômetros de casa, onde eu pegava condução para a faculdade. Após as aulas, dormia numa pensão simples e, ao amanhecer, o ônibus me deixava no mesmo local. Dali, precisava seguir aqueles sete quilômetros até casa, a pé ou na esperança de uma carona. Foi um ano de disciplina e perseverança.

No segundo ano, para facilitar o trajeto da faculdade, comprei meu primeiro carro, um Fusca. Queria independência e menos desgaste na rotina entre Cabreúva e Jundiaí. Depois de cinco mil quilômetros, levei-o para revisão em Itu. Ao entardecer, segui pela Estrada Parque rumo a Cabreúva. Após a Fazenda do Chocolate, notei um Opala parado no acostamento. Mais adiante, ele me ultrapassou e fechou minha passagem. “É um assalto!”, gritaram.

Fui colocado no banco traseiro, sob a mira de uma arma. Falavam friamente sobre onde me matariam. Seguiram até a Fazenda Major e entraram na estrada da sede. Em certo ponto, pararam e decidiram retornar. Mandaram-me colocar as mãos sobre uma pedra e não olhar para trás. Esperei o silêncio e corri até a sede da fazenda. Ali, deram-me água com açúcar para acalmar os nervos. Tentei telefonar à delegacia, mas ninguém atendeu. O administrador selou um cavalo para que eu voltasse para casa. Antes de chegar, passei na delegacia e registrei a ocorrência. Naquela noite, meu irmão levou-me a Jundiaí para fazer a última prova.

Dois dias depois, encontraram meu carro. Naquela semana, recuperei o automóvel e conservei a vida. Desde então, vejo-me não como vítima, mas como sobrevivente. Voltar para casa, ainda que a cavalo, foi minha maior vitória.

Waldemar Alves de Camargo
Cadeira nº 09 I  Patrono: Monsenhor Paulo Florêncio da Silveira Camargo

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *