Estudantes da Rede Estadual em Itu sofrem por falta de material escolar

Contrato com a empresa responsável pelos equipamentos foi encerrado no dia 4 de março. Professores afirmam utilizar recursos próprios para custear atividades escolares

Lucas Gandia

Professores e funcionários das escolas estaduais de Itu e região não têm mais acesso a máquinas copiadoras para realizar seus trabalhos. O contrato com a empresa responsável pelos serviços de impressão e fornecimento de equipamentos, toners e papel foi encerrado no último dia 4 de março. Alguns educadores relatam que, desde então, têm bancado por conta própria determinadas atividades realizadas em sala de aula.

A situação foi apurada pelo “Periscópio” em diferentes unidades escolares de Itu e confirmada por Rita Leite Diniz, presidente da subsede regional da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo). “Os equipamentos já estão lacrados e começaram a ser recolhidos em algumas escolas. Essa retirada é feita pelo próprio governo do Estado, por meio da Diretoria de Ensino”, afirma.

Rita explica que a medida foi anunciada às escolas no início do ano letivo, durante as reuniões de planejamento escolar. Entretanto, ainda não há previsão de quando a situação será contornada. “Quando retornarmos, os antigos mimiógrafos das unidades já estavam disponíveis para o uso. De forma subentendida, ficou claro que, se quisermos preparar atividades diferenciadas para a aula, teremos que pagar o xerox do nosso bolso ou utilizar esses equipamentos antigos”, enfatiza. “E isso não vale só para os educadores. Se as secretarias tiverem que imprimir algum documento, também não há tinta”.

Ensino prejudicado
A presidente da subsede regional da Apeoesp ainda afirma que, para adquirir impressoras e copiadoras próprias, alguns educadores estão considerando a possibilidade de realizar rifas e arrecadações, juntamente com os pais dos alunos. “Se alguma escola tiver equipamento, é porque a unidade comprou com renda obtida em eventos ou qualquer outra atividade do tipo. Todas as máquinas mandadas pelo governo do Estado já estão sendo recolhidas”, explica Rita.

Em depoimento ao JP, um professor de História de quatro escolas estaduais de Itu relata que a falta de máquinas copiadoras já tem prejudicado o ensino e as atividades didáticas. “Nesta semana precisei imprimir uma tarefa para a aula. Os alunos tiveram que trabalhar em duplas, e as impressões foram reaproveitadas em outras turmas”, conta o educador, que teve sua identidade preservada nesta reportagem. “Se tivesse que fazer cópias para todos, gastaria cerca de dez reais por sala. No meu caso, que tenho 52 aulas semanais, o custo ficaria alto”.

Estado nega
Questionada pelo “Periscópio”, a Diretoria de Ensino de Itu nega o uso de mimeógrafos nas unidades apontadas e afirma que a região conta com 140 impressoras para serem utilizadas em 53 escolas. “As diretorias de ensino paulistas receberam R$ 6 milhões antes do término do contrato, que era de conhecimento geral de todos, uma vez que a Secretaria de Educação tem por prática utilizar as videoconferências como ponto de partida para disseminar uma informação. Neste caso, os primeiros informes aconteceram ainda no final de 2015”, alega.