Finalmente acabou…

IVAN VALINI

O dia 12 de dezembro marcou o encerramento oficial da atual Câmara dos Vereadores. Bem ou mal, foram esses 13 parlamentares que tiveram a incumbência de representar e defender os interesses do povo ituano nos últimos quatro anos. E agora que acabou, fica a pergunta: o saldo foi positivo?

Acho que a resposta é meio óbvia. O fato de apenas dois terem sido reeleitos mostra que o trabalho (ou a falta de) não agradou.

O momento também é oportuno para fazer uma análise individual de alguns vereadores. Vamos começar por aquele que foi o mais votado desta Legislatura que está terminando: Olavo Volpato. O ex-prefeito não havia sido eleito pelo grupo de Tuíze e levava consigo a confiança do eleitorado pelo legado que havia deixado quando governou a cidade. Porém, passada a eleição, Volpato deixou claro que o partido (PMDB) não havia lhe apoiado na campanha e, embora tivesse sido eleito junto com a vereadora Balbina de Paula Santos, se sentia só. Resultado? Aliou-se ao grupo de Herculano e caiu no conceito popular. Chegou até iniciar uma pequena luta (sem sucesso) para retirar o lixo atômico da cidade, mas nada que surtisse efeito. Neste ano, ainda tentou “abraçar” a causa da reforma da Escola Convenção, mas também não obteve êxito. Sai da Câmara dizendo que sua história como homem público acabou.

Diz o ditado que “peixe morre pela boca”. E acredito que essa frase se encaixe perfeitamente no que foi o mandato de Josimar Ribeiro. Com a bagagem de já ter tido uma passagem pelo Legislativo e, inclusive, já tendo ocupado o cargo de vice-prefeito, Josimar se perdeu em seus discursos, a maioria sem nenhuma base ou fundamento. Chegou ao ponto de ser presidente da Câmara e levar um colega (Giva) para a comissão de Ética e ver todos os pares ir contra ele. Ficou marcado por uma palavra: “simples”, pois em tudo o que se referia, fosse indicação, projeto, requerimento, etc, para ele era tudo “simples”. Já a reeleição não foi tão simples assim…

E o que dizer de Hermes Jabá? Talvez o maior humorista/comediante da história do Legislativo ituano. Ele conseguia fazer graça em qualquer ocasião, em qualquer assunto. Um dom! Infelizmente o “stand-up” não rendeu votos suficientes para fazer com que voltasse à Câmara. Talvez o papel de vereador seja mais sério do que ele pensava.

Pessoa mais figurativa dentro da Câmara, Nair Langue se despede sem sequer ter se apresentado. Em dois mandatos seguidos (graças à ‘bendita’ Igreja Universal), se a vereadora usou da palavra umas três vezes foi muito. Nunca discutiu um projeto, nunca se rebelou contra nada, foi um mero figurante que, quando perdeu o posto de primeiro secretário (aquele que só lê ata e a ordem do dia), passou despercebida lá dentro.

Matheus Costa e Dr. Bastos, que não concorreram à reeleição, tiveram situações opostas dentro da Câmara. O primeiro deixou claro, logo no primeiro ano de seu mandato, que o cargo de vereador não era o que imaginava. Chegou a abrir mão inclusive para deixar que o suplente assumisse por algumas semanas a vereança. Já Dr. Bastos teve um mandato dividido em dois atos. Ele foi um vereador antes da crise d’água (atuante e determinado), quando era o presidente da Câmara; e outro depois. Parece que foi o vereador que mais sentiu na pele a revolta popular e os protestos o fizeram murchar como político (chegou a levar uma ovada na cara).

Zelito do Quiosque, cujo reduto era a região do Cidade Nova, também se perdeu nesses quatro anos. Foi crítico feroz do Governo Tuíze, mas não conseguiu desempenhar seu papel de fiscalizador – tanto que no próprio bairro acabou perdendo espaço e a reeleição não se concretizou. Talvez tenha faltado a malícia de lidar com o povo e um pouco mais de orientação política.

Professor Feital: um homem culto, inteligente, que também não deixará saudades. Trocou todo seu conhecimento (embora fosse seu primeiro mandato) para defender um grupo de oposição ao prefeito Tuíze.

Balbina, de longe, é a mais esperta. Demonstrou como poucos que sabe fazer política (tanto que elegeu o filho). Mesmo sendo declarada “ficha suja”, no meio do mandato mudou seu discurso e acabou se tornando líder do prefeito Tuíze no Legislativo. Um feito! Nunca baixou a guarda e sempre tinha palavras na ponta da língua para rebater quem quer que fosse.

Um jovem com potencial, mas de pouca modéstia. Esse foi Eduardo Ortiz. Entrou na Câmara batendo no peito e se dizendo advogado e conhecedor pleno do assunto. Pagou um preço alto quando, ao tentar bater de frente com Balbina, soltou uma frase infeliz sobre a APAE. É bem verdade que conseguiu mudar o jogo nos anos seguintes, foi disparado o mais transparente entre todos os vereadores e, com certeza, voltará à Câmara para um novo mandato, espera-se mais experiente e comedido em seus discursos.

Marquinhos da Funerária deixa o Legislativo como o “amigão”, menos de Ortiz, com quem se estranhou algumas vezes. É considerado pelos próprios funcionários da Câmara como o melhor presidente que passou pela Casa de Leis. Não conseguiu a reeleição por “abraçar” e demonstrar sua fidelidade ao grupo de Herculano/Rita Passos.

E para encerrar, os dois reeleitos. Sérgio Castanheira desenvolve um trabalho em prol dos animais e, convenhamos, isso dá voto. Procurou não se envolver em polêmicas, tratou de fazer o básico e não se expôs em assuntos delicados. Ganhou mais quatro anos como recompensa.

Já Givanildo Soares é, de longe, o vereador mais “jogador” que o Legislativo ituano possui. É incrível a habilidade de fala e convicção sobre todos os assuntos. Em qualquer discussão, lá está Giva usando seus 5, 10, 15 minutos para abordar o tema e mostrar todo seu conhecimento sobre o que está sendo discutido. Também é apaziguador, procura sempre trabalhar em grupo e, com isso, acaba tendo a aceitação popular.

Passado isso a limpo, que venha 2017 e os novos desafios que os eleitos irão enfrentar.

Aproveito para desejar um Feliz Natal e um Ano Novo repleto de realizações e conquistas para todos.