Ituana participa da COP30 em Belém

Entre 10 e 21 de novembro, será realizada em Belém (PA) a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP30). A conferência é o maior evento global das Nações Unidas para discussão e negociações intergovernamentais sobre mudança climática. É organizada no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança Climática.
O encontro é realizado anualmente. Como país anfitrião, em 2025, o Brasil se compromete com o fortalecimento do multilateralismo e da implementação do Acordo de Paris.
A COP reúne líderes mundiais, cientistas, organizações não governamentais, representantes da sociedade civil, de governos, do setor privado, e de organizações internacionais para discutir ações para combater a mudança climática.
A ituana Malu Ribeiro, diretora de políticas públicas da SOS Mata Atlântica, estará presente na COP juntamente com outros membros da organização, o diretor executivo Luís Fernando Guedes e a diretora de mobilização Afra Balazina.
Ao Periscópio, Malu comenta sobre a importância da conferência. “É extremamente importante que o Brasil venha sediar essa conferência das partes da ONU sobre mudanças climáticas, porque as últimas COPs não foram em países que têm uma rica biodiversidade como é o caso do Brasil, todos os nossos biomas, nossas florestas. A retomada de uma agenda socioambiental e de sustentabilidade é muito importante para o país e para o cenário global.”
Malu reforça a importância da conferência, relembrando outro evento. “Em 1992, quando o Brasil sediou a Rio 92, a chamada Eco 92, isso impulsionou no nosso país várias políticas públicas, várias mudanças de comportamento que são refletidas até hoje, como reciclagem de lixo, os esforços para avanço no saneamento básico, programas de sustentabilidade nas empresas, Prefeituras, órgãos estaduais e federais.”
De acordo com a ituana, essas conferências trazem várias mudanças de comportamento e iniciativas que vão se associando ao nosso dia-a-dia sem que a gente perceba. “Isso é muito importante nesse momento de emergência climática em que estamos todos sendo afetados, sobretudo para nossa região, que enfrenta já vários problemas de escassez hídrica e que depende de soluções de sustentabilidade para adaptação e enfrentamento desses eventos extremos cada vez mais intensos, como ocorreu recentemente com aquele vento extremamente forte que acabou destruindo a fábrica da Toyota em Porto Feliz e atingindo a sede da SOS Mata Atlântica, no nosso viveiro de mudas aqui em Itu.”
Sobre o vendaval relembrado por Malu, ela explica que a floresta protegeu as instalações e edificações das atividades, dos escritórios, a presença da mata amortizou os impactos dos eventos e isso acabou não danificando estruturas mais importantes. “É extremamente oportuna a realização da COP, principalmente para levarmos soluções da nossa região”, diz a diretora da SOS Mata Atlântica.
Restauração
Antes da COP30, Malu esteve presente, na terça-feira (04) e na quarta-feira (05), no evento Summit Agenda SP+Verde, no Parque Villa-Lobos, na capital paulista, oportunidade em que a fundação lançou uma aliança para conservação e restauração da Mata Atlântica.
“Estamos lançando, tanto nessa ‘Pré-Cop’ quanto na COP, uma aliança com empresas para a restauração florestal na nossa região do Médio Tietê, que vai ser muito importante. Visa conectar áreas protegidas pela Mata Atlântica com a recuperação de áreas de preservação permanente e de áreas que cumprem uma função de serviço ecossistêmico para conservação da biodiversidade, água e clima”, destaca Malu.
Na COP, a SOS Mata Atlântica estará em diversos eventos, apresentando estudos, dados e ações. “Para que a gente tenha de fato um resultado extremamente importante, principalmente com esse fundo permanente de florestas que vai ser lançado na COP e que, para além da Mata Atlântica, é fundamental, pois vai tirar do papel, depois de 20 anos, o Fundo Mata Atlântica”. Segundo Malu, o Fundo Mata Atlântica tem o objetivo de combater o desmatamento, realizar a restauração florestal e conservação de áreas protegidas associado a necessidade de adaptação e mitigação dos eventos climáticos extremos.
“E o importante nessa COP é que após três edições volta a acontecer em paralelo às conferências da ONU, dos chefes de estado, organizações observadoras e negociadores. E volta a acontecer a cúpula dos povos, que reúne a sociedade civil, não apenas na zona verde, mas também nas ruas de Belém, acolhendo toda a sociedade que vem de diversos países para uma verdadeira ação global em defesa das mudanças climáticas. Que a gente possa ter várias trocas experiências positivas e de soluções para essa emergência climática”, conclui Malu.

