O perigo da desinformação
Por André Roedel
Na última quinta-feira (15) a cidade de Itu “parou” para acompanhar os desdobramentos da operação da Polícia Civil, que cumpriu mandados de busca e apreensão na sede da Prefeitura e em condomínios de luxo. Todos queriam saber do que se tratava toda aquela movimentação, se alguém havia sido preso e, o mais importante, se ia dar em alguma coisa.
Porém, em meio a tantos desencontros de informação, começou a surgir muita desinformação. Pessoas sem o mínimo conhecimento jornalístico começaram a ventilar boatos e fatos inverídicos na ânsia de querer ser o primeiro a dar a notícia. Pelo Facebook e em grupos de WhatsApp, era possível acompanhar um festival de bobagens.
Alguns boatos diziam que políticos de alto escalão haviam sido presos e conduzidos à delegacia central algemados. Outros diziam que um secretário municipal chegou a tentar escapar da operação pulando o muro de sua casa. Detalhe: de pijama ainda. Muitas especulações que, em uma ação policial como essa, só atrapalham.
Nesses casos, o melhor a se fazer é aguardar informações oficiais e não divulgar suposições. A História nos recorda casos em que a divulgação de informações inverídicas causou sérios prejuízos a alguém. Recentemente, uma mulher foi morta no Guarujá (SP) após uma página na internet postar um boato de que ela estaria envolvida com sequestro e bruxaria.
Mas o caso mais lembrado – principalmente nas faculdades de Jornalismo – é o da Escola Base, ocorrido em 1994 na capital paulista. Seus proprietários, o casal Icushiro Shimada e Maria Aparecida Shimada, a professora Paula Milhim Alvarenga e o seu esposo e motorista Maurício Monteiro de Alvarenga foram acusados pela imprensa, de maneira totalmente precipitada, de abuso sexual contra alunos de quatro anos.
Na época, diversos veículos de comunicação “embarcaram na onda” das denúncias não comprovadas feitas pelas mães das crianças, resultando em uma verdadeira caça às bruxas publicada em jornais e televisionada. Após a comprovação da inocência dos acusados, a mídia começou a se retratar – de forma discreta, é claro. Mas o estrago já estava feito. Até hoje as reais vítimas sofrem com o episódio.
É claro que o acontecido em Itu não atingiu o mesmo nível do ocorrido na escola paulistana. Porém, todo cuidado é necessário nesses momentos. Qualquer informação desencontrada pode causar prejuízos insanáveis a uma empresa, instituição ou pessoa. Ainda mais quando se tratam de figuras políticas, que já possuem um descrédito perante a população. Em situações como a ocorrida por aqui, é necessário o máximo de cuidado na apuração dos fatos.
E isso é um alerta, principalmente, para nós, comunicadores. Temos um papel vital na sociedade, pois levamos a informação para o povo. E essa informação tem que ser correta para que não haja julgamentos precipitados. Sim, os novos tempos exigem “informação em tempo real”, mas em primeiro lugar vem a apuração e o compromisso com a ética jornalística – preceitos cada vez mais em falta nas redações Brasil afora.
Mais uma vez fica o conselho: cheque as informações antes de divulgar em suas redes sociais. Muitas vezes a vida de alguém pode ser afetada – ou depender – daquela simples mensagem publicada em uma caixa de comentários na Internet.
