Uma batalha contra o câncer de mama

Renata possui ainda um perfil no Instragram, em que compartilha a sua rotina com o objetivo de auxiliar outras pessoas (Foto: Arquivo pessoal)

Assim como nos últimos anos, o Periscópio traz ao longo deste mês da campanha “Outubro Rosa” relatos de pessoas que vêm passando ou passaram pelo tratamento do câncer de mama. Neste sábado (08), trazemos um pouco da trajetória da jornalista Renata Helena Di Paschoale Guarnieri, de 41 anos. Ela, que costuma fazer exames de rotina todo mês de fevereiro, quando costuma estar em férias, notou no início deste ano que algo não estava certo.

“No dia 30 de janeiro deste ano, durante o banho, percebi um vergão e um nódulo na axila. Assim que percebi procurei agendar uma consulta. Para falar a verdade marquei consultas em vários médicos, todas eram para depois de um mês. Expliquei o que estava acontecendo e as secretárias disseram que me ligariam caso conseguissem um encaixe e foi o que aconteceu”, relata a jornalista.

 Após essa consulta, Renata fez uma mamografia e um ultrassom da mama que apontaram alterações, mas não muito conclusivas, por isso foi encaminhada para um mastologista. “Já com o mastologista fui encaminhada para fazer ressonância das mamas e biópsia, que confirmaram o que era uma suspeita. Era um câncer, um tipo raro. O meu caso foi um pouco diferente. Com o resultado da biópsia e mais vários pedidos de exames, fui encaminhada ao oncologista para dar início ao tratamento”, explica Renata.

“Quando o resultado da biópsia chegou ele só confirmou algo que eu já sabia. As mudanças no corpo estavam ocorrendo muito rápidas, não poderia ser outra coisa, apesar de todos dizerem com as melhores das intenções: ‘Ah, não é nada’. Desde o começo sempre tive a certeza de que ficarei curada”, destaca a jornalista. “Estou em ótimas mãos, confio nos profissionais que cuidam de mim, nas orações, energias e pensamentos positivos das pessoas queridas”, acrescenta.

 Após o diagnóstico, vieram as mudanças. “A minha rotina mudou muito. De trabalho, passeios, encontros com amigos e viagens, passou a ser de consultas com médicos, fisioterapeuta, nutricionista, exames e sessões de quimioterapia. Tudo isso praticamente todos os dias da semana”, prossegue Renata. Os cuidados com alimentação, que a jornalista destaca já praticar anteriormente, ficaram mais rígidos. “Com orientação da Ana Lúcia Bordini, minha nutricionista oncológica, consegui manter os efeitos colaterais da quimioterapia bem amenos, além de aumentar o meu peso ganhando massa muscular”, reforça.

“A rotina de exercícios que, para muitas pessoas parece controverso, também ajudou muito. As pessoas podem pensar: como o paciente oncológico, que tem dores pelo corpo, fará atividade física? É exatamente a prática de atividades físicas, sempre orientadas, que fazem com que as dores diminuam ou até mesmo desapareçam”, explana Renata.

Acompanhada pela fisioterapeuta oncológica Daniele Salvaia, que lhe orienta com caminhadas diárias e fisioterapia duas vezes por semana, Renata revela que tais ações praticamente acabaram com os episódios de fortes dores no quadril e pernas que ela sentia, causadas pelos medicamentos.

 Questionada sobre o suporte que tem recebido, a jornalista se considera privilegiada. “Faço o tratamento em uma clínica que dá todo suporte para que eu passe por essa fase da melhor maneira possível. Além do oncologista, tenho acompanhamento com fisioterapeuta e nutricionista oncológicas. Sem contar a equipe de enfermagem e demais funcionárias que são muito atenciosas e acolhedoras. Também são oferecidos outros acompanhamentos como assistente social e psicóloga”.

 Renata acrescenta: “O apoio para passar por essa fase é surpreendente de várias formas. Recebi apoio vindo de onde menos imaginava, de amigos que há muito não via ou conversava, amigos de perto e de longe, de conhecidos e desconhecidos, sem contar das amizades que fiz com outras pacientes e acabamos ajudando uma a outra”.

 “Também tem as ‘tias’ motoristas, a que me buscava na quimioterapia por eu estar mais dormindo do que acordada (culpa do antialérgico) e a que me levou ‘para lá e para cá’ e resolveu um monte de coisas depois da cirurgia, enquanto eu não podia dirigir. Da mãe, claro, que ajuda com os afazeres em casa”, relata agradecida.

“Encontrei profissionais maravilhosos na clínica onde faço o tratamento, de um carinho imenso e extremamente empáticos. Conheci pessoas incríveis e recebi mensagens e ligações que surpreenderam, assim como não recebi mensagens, o que também me surpreendeu”, enaltece.

De acordo com Renata, é muito importante as pessoas compreenderem o tratamento de um paciente oncológico. “Cada paciente tem o seu próprio tratamento, ainda que seja um câncer de mama, existem vários tipos, estágios, tantos detalhes. Por isso, não devemos comparar o câncer da prima com o câncer da vizinha, da irmã, da amiga ao de ninguém”, explica.

Confraternização realizada pela clínica para comemorar a última quimioterapia (Foto: Arquivo pessoal)

Segundo ela, os processos são diferentes, cada caso é um caso. “Existem vários tipos de quimioterapia, várias sequências de tratamento. Uns fazem primeiro a cirurgia, outros primeiro as quimioterapias, cada um a seu modo, cada um com suas reações e sintomas adversos, cada um enfrentando do seu jeito”, conta. “O meu tratamento está programado para ser a quimioterapia, a cirurgia, terapia alvo com duração de um ano, radioterapia e cirurgia novamente”.

Renata aproveita para deixar uma importante mensagem. “Às vezes, quando contamos que estamos com câncer, a feição da pessoa muda de imediato. A impressão é a de que a pessoa vai perguntar qual o dia do seu velório. Ainda existem muitos mitos sobre a doença e que precisam ser quebrados. Sim, é uma doença grave, que mata, que maltrata, que assusta, mas a cara de velório pode ser deixada de lado. Lembre-se, também, o câncer não tem aparência. Dizer que a pessoa nem parece que tem câncer é estereotipar a doença, é dizer que a pessoa tem que estar mal, com aspecto ruim, para que acreditem que realmente esteja doente. Não é porque o cabelo cresceu que não estamos doentes ou o tratamento acabou”, explica a jornalista.

“Não é porque rimos e enfrentamos tudo de cabeça erguida que não temos nossos momentos de medo e angústia. Apenas resolvemos tentar passar por tudo isso de maneira mais leve. Tenha empatia, ofereça ajuda, mande uma mensagem, procure compreender um pouco o que a pessoa está passando, coloque-se no lugar dela, muitas vezes um ‘bom dia’ no aplicativo de mensagens já pode aquecer o coração de quem já está tão fragilizado”, complementa.

Renata possui ainda um perfil no Instragram, em que compartilha a sua rotina com o objetivo de auxiliar outras pessoas: @renatadipaschaole.

Ações da Prefeitura de Itu

Com o objetivo de conscientizar a população sobre o câncer de mama e a importância dos exames preventivos, a Secretaria Municipal de Saúde promove mais uma edição do Outubro Rosa, campanha que ocorre em todo o mundo.

 O Outubro Rosa em Itu conta com a parceria da ONG Mais Vida, OncoItu – Instituto de Tratamento Unificado em Oncologia, Rotary Club Itu, Rotary Itu Terras de São José, Rotary Convenção e Associação das Famílias de Rotarianos de Itu (Afri).

Como parte da programação haverá diversas atividades ao longo deste mês como, por exemplo, realização de exames de Papanicolau, mamografia, ultrassom de mama e transvaginal; ações educativas nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e na sede do Grupo da Melhor Idade; decoração de alguns imóveis com a cor rosa; distribuição de laços na cor rosa alusivos à campanha e de panfletos informativos.

É importante destacar que todos os exames serão realizados mediante agendamento nas UBS. Para mais informações é necessário procurar a UBS mais próxima de sua residência.