﻿{"id":94597,"date":"2018-11-17T12:12:34","date_gmt":"2018-11-17T14:12:34","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalperiscopio.com.br\/site\/?p=94597"},"modified":"2018-11-17T12:12:34","modified_gmt":"2018-11-17T14:12:34","slug":"periscopio-entrevista-marcio-pitliuk-data-serve-para-a-gente-educar-os-jovens-a-serem-tolerantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalperiscopio.com.br\/site\/periscopio-entrevista-marcio-pitliuk-data-serve-para-a-gente-educar-os-jovens-a-serem-tolerantes\/","title":{"rendered":"PERISC\u00d3PIO ENTREVISTA: Marcio Pitliuk: \u201cdata serve para a gente educar os jovens a serem tolerantes\u201d"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-94598\" src=\"http:\/\/jornalperiscopio.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/entrevista-holocausto.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"455\" srcset=\"https:\/\/jornalperiscopio.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/entrevista-holocausto.jpg 800w, https:\/\/jornalperiscopio.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/entrevista-holocausto-700x398.jpg 700w, https:\/\/jornalperiscopio.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/entrevista-holocausto-768x437.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/p>\n<p>No in\u00edcio deste m\u00eas, o <strong>Perisc\u00f3pio <\/strong>recebeu \u2013 a convite do empres\u00e1rio Gabriel Carvalho \u2013 a visita do publicit\u00e1rio, escritor, diretor de cinema e palestrante Marcio Pitliuk, um dos maiores especialistas brasileiros do Holocausto \u2013 o genoc\u00eddio de cerca de seis milh\u00f5es de judeus durante a Segunda Guerra Mundial. Pitliuk, que \u00e9 judeu, j\u00e1 realizou dois longas-metragens, tr\u00eas curtas, 13 livros e dezenas de palestras sobre a tem\u00e1tica.<\/p>\n<p>Agora residindo em Itu ap\u00f3s anos atuando na capital paulista, ele conversou com a reportagem sobre o tema e sobre a recente aprova\u00e7\u00e3o do projeto de lei de autoria do vereador Ricardo Giordani (PTB), que institui no calend\u00e1rio oficial de eventos da cidade o Dia da Lembran\u00e7a, entre outros assuntos relacionados. Pitliuk deixa seu e-mail para quem quiser solicitar palestras: <a href=\"mailto:pit@pitcom.com.br\">pit@pitcom.com.br<\/a>. Abaixo, confira os principais trechos da conversa \u2013 que pode ser lida na \u00edntegra no site do <strong>JP<\/strong>:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>JP: Como o senhor se aproximou desse tema t\u00e3o amplo como o Holocausto e como \u00e9 lidar com ele?<\/strong><\/p>\n<p>Existe um evento mundial, chamado \u201cMarcha da Vida\u201d, que leva umas 20 mil pessoas por ano para conhecerem os campos de concentra\u00e7\u00e3o na Pol\u00f4nia. Um dia eu pensei: \u2018j\u00e1 que eu sou publicit\u00e1rio, sei fazer filme, sei escrever, em vez de eu fazer como todo mundo, eu vou documentar. A\u00ed eu descobri que ningu\u00e9m tinha feito isso no mundo. Fui atr\u00e1s de patrocinadores, decidi fazer um longa-metragem, fazer um livro de fotos e transmitir pelo r\u00e1dio no ano seguinte. Quando comecei a fazer esse trabalho, comecei a conhecer sobreviventes, a estudar o assunto, ler muito, visitar museus no mundo todo. Comecei a estudar muito o assunto e fiquei fascinado. Quando lancei o livro e o filme, comecei a fazer palestras e levar sobreviventes do Holocausto. A\u00ed eu j\u00e1 estava cansado da propaganda. O \u00fanico benef\u00edcio \u00e9 ganhar dinheiro, n\u00e3o \u00e9 uma coisa que d\u00e1 muitos orgulhos. Ent\u00e3o eu decidi que ia dedicar a minha vida a algo mais nobre, vamos chamar a assim. Vendi a ag\u00eancia e comecei a focar nisso. O Holocausto e a Segunda Guerra Mundial foram os temas que mais geraram livros e filmes no mundo. Ent\u00e3o \u00e9 um tema muito amplo. Por exemplo, nas minhas palestras eu posso falar sobre \u00e9tica usando a Alemanha nazista como o exemplo \u2013 na verdade \u00e9 o n\u00e3o-exemplo. \u00c9 muito rico o assunto; para mim virou uma miss\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>JP: Em meio a tantos livros sobre o tema, como abord\u00e1-lo de forma diferente?<\/strong><\/p>\n<p>Eu vou lan\u00e7ar um livro, que j\u00e1 acabei de escrever, que \u00e9 um romance que \u00e9 um pouco disso que voc\u00ea est\u00e1 falando. Fala-se muito pouco sobre a participa\u00e7\u00e3o das mulheres no Holocausto. A gente sabe dos comandantes dos campos, dos carrascos, da c\u00fapula do governo alem\u00e3o e \u00e9 raro falar das mulheres. E elas tiveram uma participa\u00e7\u00e3o muito ativa. Elas j\u00e1 chegaram a ser comandantes. As mulheres colaboravam sabendo o que os maridos faziam. Quando o cara chegava em casa com casacos de pele que roubavam das judias para dar \u00e0 esposa, ela perguntava de onde apareceu. O mesmo com as joias. Ela n\u00e3o podia negar que sabia. Ent\u00e3o eu acabei de escrever um livro em que eu retrato uma personagem que \u00e9 uma alpinista social que cresce na Alemanha sempre se beneficiando do Holocausto. Ent\u00e3o esse \u00e9 um jeito novo, pouco falado das mulheres.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>JP: Para o leitor que \u00e0s vezes n\u00e3o conhece o termo, o que foi o Holocausto de uma maneira resumida?<\/strong><\/p>\n<p>Resumida \u00e9 dif\u00edcil, mas usando um termo bastante atual, o Holocausto foi muito o \u201cn\u00f3s contra eles\u201d. Foi o que os nazistas usaram na Segunda Guerra Mundial. Quando a Alemanha perdeu a Primeira Guerra Mundial e estava arrasada moralmente e financeiramente, surgiu um salvador da p\u00e1tria, que era Adolf Hitler, prometendo que o povo ia ficar bem, ia alimentar todo mundo, o pa\u00eds ia melhorar. Ele era um louco, megaloman\u00edaco, com um ego l\u00e1 em cima que foi convencendo as pessoas a apoi\u00e1-lo incondicionalmente. E ele usou esse discurso do \u201cn\u00f3s contra eles\u201d. \u201cN\u00f3s\u201d alem\u00e3es e \u201celes\u201d, judeus e comunistas. E com isso ele cresceu, fez uma lavagem cerebral no povo e convenceu que a Alemanha era um povo superior e os outros povos eram inferiores, estavam aqui para servir os alem\u00e3es, e os \u2018sub-humanos\u2019, que eram os judeus e ciganos, tinham que ser exterminados. Ent\u00e3o fez aquela m\u00e1quina de matar. Quando ele come\u00e7ou o discurso, nem ele sabia o que ia acontecer. Quando eles come\u00e7aram a matar milhares era f\u00e1cil. Depois, dezenas de milhares j\u00e1 come\u00e7ou a ficar complicado matar e depois se livrar dos corpos era mais complicado ainda. Precisava de uma estrutura do pa\u00eds para isso, que envolveu bancos, envolveu empresas de transporte, envolveu n\u00e3o s\u00f3 a sociedade militar, mas a sociedade civil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>JP: Muita gente ent\u00e3o lucrou com a morte?<\/strong><\/p>\n<p>Muita gente lucrou. As empresas vendiam o g\u00e1s venenoso. Outras empresas vendiam arame farpado para os campos de concentra\u00e7\u00e3o, outras empresas compravam os cabelos dos judeus para fazer forro de submarino e tanque de guerra. Era uma m\u00e1quina de fazer dinheiro. Eles roubavam tudo dos judeus e vendiam para os alem\u00e3es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>JP: \u00c9 poss\u00edvel, guardadas as devidas propor\u00e7\u00f5es, tra\u00e7ar um paralelo do Holocausto com a escravid\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o. A escravid\u00e3o ela usa a m\u00e3o de obra sem pagamento, mas o escravo \u00e9 uma mercadoria que tem que sobreviver. Pelo menos durante 20, 30 anos o escravo tem que se pagar. Ent\u00e3o ele \u00e9 alimentado, ele dorme, ele sobrevive como um animal de carga, mas ele sobrevive. Os escravos no Holocausto n\u00e3o duravam um ano. Porque estava sempre chegando mais e eles queriam matar por exaust\u00e3o tamb\u00e9m. Eles davam pouca comida. Muitas f\u00e1bricas, como BMW e Mercedes Benz, reclamavam que os escravos estavam muito fracos, mas n\u00e3o se preocupavam em alimentar. Isso era obriga\u00e7\u00e3o do campo de concentra\u00e7\u00e3o. O senhor de escravo alimentava ele. Podia at\u00e9 castigar, mas n\u00e3o at\u00e9 a morte. No caso nazista era mais uma forma de exterm\u00ednio, pela exaust\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>JP: E na quest\u00e3o da repara\u00e7\u00e3o? Hoje a Alemanha \u00e9 um pa\u00eds consciente dos atos que ocorreram na Guerra e rev\u00ea muita coisa do que foi feito.<\/strong><\/p>\n<p>Repara\u00e7\u00e3o teve. Todo mundo que provou que sofreu com o Holocausto, sobreviveu e sofreu, tem uma repara\u00e7\u00e3o de guerra. Tem v\u00e1rios n\u00edveis: se ela teve que fugir da Alemanha por causa da persegui\u00e7\u00e3o nazista, ela tem um tipo de repara\u00e7\u00e3o; se ela ficou presa no gueto, \u00e9 outra repara\u00e7\u00e3o; se ela ficou como escrava, outra. Tem v\u00e1rios n\u00edveis. Mas a maior pens\u00e3o que existe \u00e9 de 800, 900 euros por m\u00eas. Quer dizer, um cara que com 15 anos perdeu os pais, fam\u00edlia, n\u00e3o pode estudar, sofreu o que sofreu para ganhar 800 euros n\u00e3o \u00e9 nada. Foi um gesto da Alemanha reconhecer um erro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>JP: Existem muitas pessoas com a profus\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es na internet que negam o Holocausto. Qual a percep\u00e7\u00e3o do senhor sobre isso?<\/strong><\/p>\n<p>As pessoas que negam o Holocausto elas negam sabendo que ele existiu. Por que eu falo isso? Porque para negar eles usam fatos hist\u00f3ricos para mudar o sentido. Existira os fornos cremat\u00f3rios. \u2018Sim, mas \u00e9 que morria muita gente, ent\u00e3o tinham que cremar\u2019. Bom, n\u00e3o precisava de ter 20 num campo. O Zyklon B, que era para matar pessoas, eles n\u00e3o podem falar que era para matar insetos. A f\u00f3rmula original era para matar insetos, mas ela foi refeita pela Bayer para matar pessoas. Os negacionistas usam fatos hist\u00f3ricos para mostrar o contr\u00e1rio, porque n\u00e3o d\u00e1 para negar, tem sobreviventes, testemunhas oculares. Ent\u00e3o s\u00e3o pessoas que querem ganhar dinheiro em cima disso, querem aparecer, antissemitas (quem tem preconceito com judeu) com certeza que veem nisso uma forma de ganhar dinheiro. Faz palestra, livro. Gente sem car\u00e1ter, sem \u00e9tica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>JP: Como s\u00e3o os encontros com os sobreviventes? \u00c9 uma emo\u00e7\u00e3o a cada momento?<\/strong><\/p>\n<p>Sim. Eu fa\u00e7o palestra em escolas, universidades, empresas&#8230; Onde convidam a gente. E eu conhe\u00e7o v\u00e1rios sobreviventes. Ent\u00e3o, dependendo do tipo da palestra, eu convido um dos sobreviventes para participar. E eles n\u00e3o s\u00e3o profissionais de palestras, s\u00e3o pessoas normais que pararam de estudar cedo. Quando acabou a Guerra eles tinham em m\u00e9dia 20, 21 anos. Poucos tiveram a oportunidade de fazer faculdade depois. Mas o relato deles \u00e9 t\u00e3o emocionante, t\u00e3o vivo, t\u00e3o impactante que emociona muito a plateia. E existem perguntas que todas as vezes a plateia faz. Tem uma que n\u00e3o tem quem n\u00e3o fa\u00e7a, 200 palestras e eu ouvi 200 vezes essa pergunta, que \u00e9: \u201cdepois do que aconteceu, voc\u00ea acredita em Deus?\u201d. Uns acreditam, outros n\u00e3o acreditam. As pessoas ficam encantadas, porque s\u00e3o pessoas de idade. A Guerra acabou h\u00e1 75 anos. Para ela lembrar, tinha que ter no m\u00ednimo 10 anos. Ent\u00e3o j\u00e1 tem 85 anos de idade. S\u00e3o velhinhos, que falam bem e as pessoas ficam sensibilizadas, as pessoas ficam emocionadas sempre.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>JP: Qual conte\u00fado o senhor leva nessas palestras? \u00c9 mais hist\u00f3rico?<\/strong><\/p>\n<p>Em escola de segundo grau, \u00e9 sempre uma palestra hist\u00f3rica. Explico como o Holocausto foi planejado, organizado e realizado. Quando \u00e9 uma empresa, \u00e0s vezes eu falo sobre supera\u00e7\u00e3o, porque os caras querem superar as dificuldades. Motivacional. N\u00e3o tem motiva\u00e7\u00e3o maior que um sobrevivente do holocausto. Tem alguns, como o Samuel Klein, dono das Casas Bahia, \u00e9 um sobrevivente. Um cara que saiu daquela situa\u00e7\u00e3o e virou um dos maiores empres\u00e1rios do Brasil. O Dov Orni, que \u00e9 dono do shopping aqui, \u00e9 um sobrevivente. Tem uma hist\u00f3ria incr\u00edvel. Ele n\u00e3o gosta de contar, mas tem. No Rotary eu fiz uma palestra sobre \u00e9tica. Atualmente no Brasil, como \u00e9tica est\u00e1 em baixa, eu fa\u00e7o essa palestra mostrando como o pa\u00eds inteiro perdeu a \u00e9tica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>JP: Essa elei\u00e7\u00e3o no Brasil foi muito conturbada, muita gente fazendo paralelos at\u00e9 com a Alemanha nazista, principalmente com o ent\u00e3o candidato Jair Bolsonaro. O senhor percebe paralelos da situa\u00e7\u00e3o nossa com o que foi naquela \u00e9poca?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o. Isso \u00e9 uma campanha totalmente difamat\u00f3ria. Bolsonaro n\u00e3o tem nada de nazista. E o Brasil tem uma democracia forte e s\u00f3lida. Jamais vai acontecer isso (nazismo) aqui. N\u00e3o pode se dizer jamais, mas n\u00e3o \u00e9 na atual situa\u00e7\u00e3o que isso pode acontecer. Bolsonaro n\u00e3o vai come\u00e7ar no dia 2 de janeiro a matar gay, negro, judeu, botar as mulheres em casa e proibir trabalhar. Isso \u00e9 oposi\u00e7\u00e3o mal feita, \u00e9 mentira. N\u00e3o d\u00e1 para comparar o Holocausto com nada. Holocausto \u00e9 Holocausto. Genoc\u00eddios que tiveram no final do s\u00e9culo XX na S\u00e9rvia e na Cro\u00e1cia tamb\u00e9m eram diferente. Ali os s\u00e9rvios entravam na Cro\u00e1cia, matavam os homens adultos, estupravam as mulheres e, \u00e0s vezes, uma crian\u00e7a era morta, mas n\u00e3o iam l\u00e1 e montavam uma m\u00e1quina de exterm\u00ednio para acabar com os croatas. N\u00e3o era assim. Quando os croatas iam para a S\u00e9rvia, a mesma coisa. O Holocausto era assim: matavam todos os homens, todas as mulheres, todas as crian\u00e7as. N\u00e3o importava se tinha um ano de idade, um m\u00eas de idade, tem que matar porque \u00e9 judeu.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>JP: Hoje o Brasil tem quantos sobreviventes do Holocausto? H\u00e1 uma estimativa?<\/strong><\/p>\n<p>Infelizmente essa estimativa nunca foi feita. A gente calcula que vieram muitas centenas para o Brasil depois da Guerra. Cada vez eu descubro mais um sobrevivente. Estou lan\u00e7ando um livro, que s\u00e3o retratos de sobreviventes e umas hist\u00f3rias curtas deles. S\u00e3o 18 sobreviventes que a gente entrevistou. A\u00ed quando eu publico no Facebook que eu vou lan\u00e7ar o livro, algu\u00e9m fala \u2018minha m\u00e3e \u00e9 sobrevivente, meu pai \u00e9 sobrevivente\u2019. Est\u00e1 sempre aparecendo. Porque, no mundo, a gente calcula que tiveram 500 mil sobreviventes. Na contabilidade nazista, existiam 11 milh\u00f5es de judeus para serem mortos na Europa. Seis milh\u00f5es morreram. E 500 mil chegaram a sofrer por causa disso. Muitos n\u00e3o estavam em zona de conflito e n\u00e3o foram perseguidos, mas dos que foram para o gueto, tiveram que abandonar suas casas ou escapavam dos campos, 500 mil \u00e9 um n\u00famero razo\u00e1vel. Na Pol\u00f4nia, que tinha 3,3 milh\u00f5es, sobraram 300 mil. Nos outros pa\u00edses, mais uns 200 mil. Foi 5% da Litu\u00e2nia, 40% da Hungria e por a\u00ed vai.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>JP: Muita gente faz especula\u00e7\u00f5es de como seria o mundo sem a Segunda Guerra e, consequentemente, sem o Holocausto. Como o senhor acha que seria?<\/strong><\/p>\n<p>Eu nunca parei para pensar isso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>JP: Recentemente foi aprovado na C\u00e2mara de Itu um projeto que institui o Dia Municipal da Lembran\u00e7a, de autoria do vereador Ricardo Giordani. Eu gostaria que o senhor comentasse a import\u00e2ncia de um projeto desse.<\/strong><\/p>\n<p>Foi curioso isso, porque uns dias antes o Gabriel (Carvalho) me levou a uma reuni\u00e3o com o prefeito Guilherme (Gazzola) para um projeto que estamos desenvolvendo e eu dei um livro \u201cMarcha da Vida\u201d para ele. Passou umas duas ou tr\u00eas semanas e o Ricardo me ligou e falou \u2018recebi um livro do prefeito, vi voc\u00ea \u00e9 especialista no assunto, eu estou querendo fazer o dia do holocausto na cidade e queria que voc\u00ea me desse umas ideias\u2019. A\u00ed a gente se encontrou, conversamos, at\u00e9 me convidou para participar da vota\u00e7\u00e3o. Eu fui representando a comunidade judaica de S\u00e3o Paulo, agradecer a cidade, agradecer o Ricardo pela iniciativa. N\u00f3s vamos fazer uma programa\u00e7\u00e3o grande no dia 30 de abril do ano que vem, quando vai ser a data. Muitas cidades fazem isso. Porto Alegre\/RS, Belo Horizonte\/MG, Piracicaba\/SP, que \u00e9 onde o Ricardo se baseou o projeto. Tem muita cidades que j\u00e1 fazem essa data. Existe a data mundial, que \u00e9 27 de janeiro, quando foi libertado Auschwitz, que a ONU, uns dez anos atr\u00e1s, colocou como a data mundial. S\u00f3 que como cai no meio das f\u00e9rias no Brasil, para as escolas \u00e9 ruim. Ent\u00e3o algumas escolas fazem esse dia durante o per\u00edodo escolar para que as crian\u00e7as possam fazer eventos. Para os judeus \u00e9 uma outra data que \u00e9 comemorada. Israel comemora entre o final de abril e o come\u00e7o de maio. No fim a gente tem tr\u00eas. Tem a da ONU, que a internacional, onde o presidente do Brasil sempre participa de uma cerim\u00f4nia. Todo ano tem uma cerim\u00f4nia em alguma capital e o presidente participa. \u00c9 claro que a Dilma (Rousseff, ex-presidente) n\u00e3o participou. Quando foi o ano dela, se recusou a participar. Mas o Lula participou quando era presidente. Tem a de Israel, que \u00e9 final de abril e come\u00e7o de maio e tem as das cidades. Em Itu vai ser 30 de abril, o que \u00e9 muito bom, porque como eu falei na C\u00e2mara, \u00e9 uma data que a gente tem que parar para pensar nos respeito \u00e0s minorias, \u00e0s etnias, acabar com o <em>bullying<\/em>, respeitar as diferen\u00e7as sexuais, religiosas, o que for. Ou seja, um dia da toler\u00e2ncia. Ent\u00e3o essa data serve para a gente educar os jovens a serem tolerantes. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 lembrarem os judeus, mas serem tolerantes com tudo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>JP: Qual sua aproxima\u00e7\u00e3o com Itu?<\/strong><\/p>\n<p>Eu mudei para Itu faz cinco meses. Eu vinha passar fim de semana, mas minha ideia era um dia vir morar aqui. A\u00ed quando eu parei de ter um trabalho regular e fixo em S\u00e3o Paulo \u2013 hoje eu s\u00f3 escrevo e fa\u00e7o minhas palestras, n\u00e3o preciso estar em S\u00e3o Paulo \u2013, faz cinco meses que eu mudei definitivo. A placa do meu carro j\u00e1 \u00e9 de Itu, meu t\u00edtulo eleitoral eu j\u00e1 vou mudar para Itu. Para mim que veio do inferno, \u00e9 o melhor lugar do mundo. Para quem sai do hosp\u00edcio, isso aqui \u00e9 o para\u00edso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escritor especialista em Holocausto comenta sobre a cria\u00e7\u00e3o do Dia Municipal da Lembran\u00e7a no munic\u00edpio, projeto de Ricardo Giordani<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":94598,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[6,283],"tags":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v21.8 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>PERISC\u00d3PIO ENTREVISTA: Marcio Pitliuk: \u201cdata serve para a gente educar os jovens a serem tolerantes\u201d<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Escritor especialista em Holocausto comenta sobre a cria\u00e7\u00e3o do Dia 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