Idoso faz de caminhão sua residência em Itu

Por Moura Nápoli

Carlos é falante e diz que sua vida se resume a trabalhar. Não gosta de futebol ou carnaval, mas ama seu caminhão (Foto: Moura Nápoli)

Aos 66 anos, Carlos Santos de Oliveira pode ser considerado um verdadeiro cigano. Cigano no sentido de não fincar raízes em lugar algum. O homem, nascido no Rio de Janeiro, já esteve nos mais diferentes locais Brasil afora e até pela Bolívia já passou.

Carlos vive da coleta de material para reciclagem e diz que “não posso parar. As pessoas me ajudam, gostam de mim”. Seu caminhão, um Mercedes de 1960, fica estacionado na Rua Madre Maria Teodora, Jardim Corazza, ao lado do Senai. Quando necessita de banho ou banheiro, se utiliza da Rodoviária.

Profissional no ramo de terraplanagem, Carlos teve dificuldades e resolveu “sair pelo mundo” e começou a percorrer cidades. Em sua trajetória, ele contabiliza, só para citar algumas, as seguintes localidades: Rondônia (dois anos), Acre (três anos), Sete Lagoas/MG e agora já está em Itu, segundo afirma, há dois anos.

O homem diz que “cheguei em Itu com duzentos ‘merréis’ no bolso e não conseguia emprego. Então vi essas caçambas e comecei a pegar material para reciclar. Comprei uma caminhonete e depois esse caminhão aí”.

As ideias de Carlos são um tanto confusas e montar essa matéria acabou sendo um exercício de quebra-cabeça. Disse que tem cinco filhos, todos vivos, e depois afirmou que duas filhas já faleceram. Ele, entretanto, é uma figura muito solícita, educada e durante a reportagem, várias pessoas passaram cumprimentando-o.

Ele faz questão de agradecer ao pessoal do Senai, que deixa-o ficar com seu caminhão estacionado e as pessoas da vizinhança, inclusive dos condomínios Portela, que sempre o ajudam. “Agradeço também aquele menino, como chama mesmo? Ah, o Tucano [o jornalista João José da Silva, o Tucano, da Revista Campo & Cidade] que também me ajuda”, disse.

Carioca, Carlos por incrível que pareça, não torce para nenhum time de futebol e não tem uma escola de samba favorita. “Minha vida é o caminhão”, resume o homem que amanhã ou depois simplesmente pode pegar suas coisas e ir para Porto Alegre… Recife… Manaus… Buenos Aires… Cabreúva…

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