It: A Coisa

Por André Roedel

It: A Coisa, nova adaptação do clássico livro de Stephen King para outra mídia (em 1990 já havia sido transposto para a TV), é um filmaço. Reúne tudo o que o fã da obra gostaria de ver nas telonas, adapta muito bem toda a trama e, sim, dá medo. Mas é um medo bem feito, sem apelar para os clichês do terror. Além disso, tem um elenco excelente e consegue transitar bem em outros gêneros, como a aventura e até a comédia.

Dirigido de forma muito competente pelo argentino Andy Muschietti (Mama), o filme dosa bem os momentos de susto com o desenvolvimento dos personagens, tornando a história cativante e fazendo com que o espectador se importe com toda aquela trama que se passa na cidade ficcional de Derry, nos EUA. Lá, a cada 27 anos, uma “coisa” sai dos subterrâneos para assombrar e se alimentar do medo das crianças.

Uma dessas crianças é Georgie (Jackson Robert Scott), que dá de cara com o medonho palhaço Pennywise (Bill Skarsgård) e acaba desaparecendo. Inconformado com o sumiço de seu irmão, Bill (Jaeden Lieberher) e outros membros de seu grupo de “perdedores” – incluindo aí o divertido Richie, interpretado por Finn Wolfhard da série Stranger Things e um dos grandes responsáveis pelo tom cômico do filme – acabam indo atrás da “coisa” e surpresas nada agradáveis acabam acontecendo no caminho.

Com uma pegada que mistura filmes como Conta Comigo e Goonies, It: A Coisa tem uma qualidade técnica impecável e uma história envolvente que agrada inclusive quem não é fã de terror – até porque ele não se sustenta apenas nos sustos, sendo o pavor tratado com mais requinte. O filme ainda tem uma fotografia invejável, fruto do talento do sul-coreano Chung-hoon Chung (de longas como Oldboy).

As atuações do elenco infantil são um espetáculo à parte. Todos os meninos dão show, mas em especial a promissora Sophia Lillis, que interpreta Beverly. Ela consegue passar a sensação de uma menina que teve parte de sua infância “roubada” por motivos que não contarei neste espaço para não estragar a experiência de quem ainda não assistiu. E o que falar de Bill Skarsgård? O ator se entrega de corpo e alma e, em suas rápidas aparições, faz um Pennywise assustador.

It: A Coisa é um filme de diversas camadas, também. Fala sobre amizade, sobre o amadurecimento, sobre bullying e até mesmo temas pesados, como violência infantil, porém sem espantar o espectador – que pula da cadeira do cinema apenas nos momentos que o palhaço medonho aparece, ficando preso à trama nos demais. Em resumo, It: A Coisa é um filme praticamente perfeito e que vale o ingresso.

 

Nota:

 

 

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