Primeira sessão do ano na Câmara de Itu tem clima quente

Começou quente o segundo ano da atual legislatura da Câmara de Vereadores de Itu. Realizada na última quarta-feira (04), a 1ª sessão ordinária foi marcada pela forte reação de Moacir Cova (Podemos) aos comentários proferidos por Eduardo Alves (PSB) durante a Palavra Livre. A suspensão do reajuste salarial do prefeito, vice e secretários municipais também foi assunto.

Eduardo Ortiz (MDB) foi o primeiro a comentar o caso do reajuste dos salários do alto escalão da Prefeitura. Ele disse que foi surpreendido com a publicação no Diário Oficial. “Ninguém jamais teve um aumento de salário desse porte, mais de 100% de aumento. Ainda mais quando o prefeito alega a todo momento que a Prefeitura não tem dinheiro”, afirmou o vereador, explicando que o reajuste do salário do prefeito e demais agentes políticos só pode ser realizado através de lei enviada no primeiro semestre do último ano legislativo, para valer apenas para o mandato seguinte.

Ortiz ainda disse que, nas publicações de jornais, sites e nas próprias mídias oficiais da Prefeitura, os munícipes estão deixando comentários de insatisfação e reclamação com os serviços públicos. “Só reclamação para tudo quanto é lado”, comentou o edil, citando ainda que alguns comentários estão sendo apagados. Ele ainda aproveitou para elogiar a inauguração do Ceama+ (Centro Especializado de Atenção Municipal ao Autista e outras deficiências ocultas), mas apontou não ser algo novo. O presidente Neto Beluci (Republicanos) aproveitou o ensejo e elogiou o trabalho da primeira-dama Rita Passos, que idealizou o novo serviço.

A vereadora Patrícia da ASPA (PSD) também abordou a questão do reajuste salarial. Ela frisou que a Constituição determina que nenhum servidor municipal deve ganhar mais que o prefeito, e com o valor defasado, muitos profissionais de qualidade, como médicos especialistas, deixariam de atender na rede pública de Itu. Ela, porém, reconheceu que houve um erro, que foi sanado, mas que o prefeito Herculano Passos (Republicanos) não depende desse reajuste. Balbina de Paula (PP) também usou o mesmo argumento e disse que a oposição “falou besteira”.

José Galvão destacou a inauguração do Ceama+, mas repudiou o comentário de Ortiz de que o serviço não seria uma novidade. “Dizer que não é algo novo é demonstrar que quer fazer a oposição pela oposição, é demonstrar dor de cotovelo”, disse o edil, parabenizando Rita Passos pela unificação dos serviços de atendimento aos autistas em único lugar e destacando que o Ceama+ será um serviço de referência no Estado de São Paulo. Os vereadores Elaine do Posto (PMB) e Luisinho Silveira (PDT) também elogiaram a inauguração do serviço.

Discussão quente

O vereador Eduardo Alves usou a palavra e, após abordar temas diversos, disse que os resultados do trabalho da Prefeitura no ano passado começaram a aparecer, como a inauguração do Ceama+ e o projeto do time de futebol feminino do Kansas City. Ele também pediu que a população tome cuidado com as mentiras que são propagadas na internet.

“O que mais tem hoje em dia é mentira, e com inteligência artificial vai ficar mais feio ainda. E o que eu puder fazer para desmentir cada um e trazer o nome, eu vou fazer”, disse o edil, afirmando que o Hospital da Criança não foi fechado, diferente do que tem sido divulgado.

Eduardo Alves reiterou que manterá a mesma postura, disse que está do lado da população e que fará fiscalização. “Eu vou cobrar, mas do meu jeito. Não vou fazer vídeo midiático, não. Não vou ir em hospital para deitar na caminha para dizer que passou mal, tirando lugar de quem está passando mal. Isso é muito feio”, disse o edil, no momento mais quente da sessão.

Moacir Cova se sentiu diretamente atingido, pois recentemente ele postou um vídeo em que aparece sendo atendido durante uma fiscalização na Santa Casa após ter um pico de pressão alta. Durante sua fala, afirmou que o comentário de Eduardo Alves – que se retirou do plenário – era uma vergonha e se exaltou em seu pronunciamento, despertando preocupação de colegas, inclusive da situação.

“Eu quero deixar o meu repúdio ao que esse vereador falou. Meu repúdio! Desdenhar da minha doença? Eu estava com 21 por 11 de pressão alta! Não tomei leito de ninguém lá, era a sala de hemodiálise”, bradou o edil, afirmando que fazia uma fiscalização ao hospital no momento em que passou mal e foi atendido pela equipe. Cova disse que fez exames e que pode ser cobrado pela sua atuação, mas ninguém pode “desdenhar” de sua enfermidade. 

Eduardo Ortiz, em aparte, alegou que houve quebra de decoro mesmo sem a citação nominal a Cova. Neto Beluci, porém, disse que foi apenas uma insinuação, não tendo como confirmar para quem foi destinado o discurso. Após a tensão, a temperatura diminuiu e os discursos se acalmaram, mas a situação mostra que a Câmara terá um ano legislativo intenso.

“Se nós não tivéssemos falado, denunciado, ido lá no Ministério Público, ah, meu amigo, ia mês atrás de mês! Trinta conto atrás de trinta conto no bolso. É para isso que serve o Poder Legislativo, que mesmo em recesso nós atuamos. E que fique bem claro aqui: não é o Ortiz ou o Moacir contra o prefeito, é o puro e simples cumprimento do que está estabelecido em lei.”

EDUARDO ORTIZ (MDB) sobre o caso do reajuste salarial do alto escalão da Prefeitura, que acabou sendo suspenso pelo prefeito.

“Tomei um susto de ver uma vereadora de outra cidade fazer um ‘videozinho’ besta em frente à Santa Casa, passar vergonha. É um assunto tão sério [Hospital Amaral Carvalho]. E a vergonha de falar que só está fazendo porque é ano eleitoral. Gente, a cada dois anos tem uma eleição! Então não pode fazer inauguração de nada em ano de eleição?”

EDUARDO ALVES (PSB) criticando vídeo divulgado pela vereadora saltense Dra. Grazi, que é do seu partido, em frente às obras do hospital.

“Eu acho que o prefeito ganha pouco, que os secretários ganham pouco pela atribuição e pelo estresse que vivem, mas vamos ser coerentes e respeitar a legislação. Respeitando a legislação, se ele quisesse – ou o prefeito passado – poderia adequar o seu salário, não aumentar. Aí eu entenderia e iria respeitar. Mas não dá para a gente ficar quieto diante de uma anomalia.”

MOACIR COVA (PODEMOS) também citando o caso do reajuste salarial que foi suspenso, cobrando respeito à legislação vigente.

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