Escarlatina: confira os cuidados com as crianças
A escarlatina, infecção bacteriana que tem preocupado famílias na região de Itu e Salto, volta a chamar a atenção de pediatras, principalmente em períodos de maior incidência sazonal.
A reportagem ouviu o Dr. Claudio Masanobu Terasaka, da Unimed Salto/Itu, que passa informações e orientações com relação a doença, que “é causada pela bactéria Streptococcus pyogenes, a mesma responsável por quadros de amigdalite bacteriana, mas se diferencia por provocar também manifestações cutâneas e sistêmicas mais amplas.”
Clinicamente, diz o médico, “a escarlatina apresenta febre alta, dor de garganta intensa e sinais característicos como a chamada ‘língua em morango’ – avermelhada e com aspecto rugoso – além de manchas vermelhas que se espalham pelo corpo. Ao contrário de uma amigdalite comum, que costuma se restringir à região da garganta, a escarlatina compromete o estado geral do paciente e envolve a pele.”
Segundo especialistas, a doença pode ocorrer durante todo o ano, mas há maior frequência de casos entre o fim do inverno e o início da primavera. “Em ambientes coletivos, como escolas e creches, a transmissão tende a ser mais rápida, ocorrendo por meio de gotículas de saliva, tosse, espirros, contato com secreções ou compartilhamento de objetos.”
Dr. Terasaka alerta que “os primeiros sinais que devem chamar a atenção dos pais incluem febre alta, dor ao engolir, alteração na coloração da língua e surgimento de manchas avermelhadas na pele, especialmente no rosto e tronco. A semelhança com infecções virais faz com que, em muitos casos, a escarlatina seja inicialmente confundida com viroses, o que reforça a importância da avaliação médica para diagnóstico correto.”
Após o início do tratamento com antibióticos, a criança deixa de transmitir a doença, em geral, após 24 horas, desde que a medicação seja administrada de forma adequada. “Ainda assim o afastamento escolar é recomendado por pelo menos oito dias, considerando o quadro clínico e o risco de disseminação.”
“Sem tratamento correto, a escarlatina pode evoluir para complicações mais graves, atingindo órgãos como coração, rins e articulações, seja por ação direta da bactéria ou por respostas imunológicas tardias do organismo.”
O médico enfatiza que “como não há vacina disponível, a prevenção depende de medidas como diagnóstico precoce, higiene frequente das mãos, uso de máscaras em situações indicadas e evitar o contato em ambientes coletivos durante o período de transmissão.”
A orientação médica é que os pais procurem atendimento imediato diante de febre alta persistente associada à dor de garganta e alterações na pele ou na língua. Por outro lado, recomenda-se evitar a automedicação e, nos primeiros momentos de febre, utilizar apenas antitérmicos sob orientação, permitindo que o quadro clínico se manifeste de forma mais clara para um diagnóstico preciso.

