Postos de combustível registraram filas em Itu

Posto situado na Avenida Otaviano Pereira Mendes registrou muitas filas na quarta-feira, mas na quinta o movimento era menor (Foto: André Roedel)

Na noite de quarta-feira (18), milhares de pessoas em Itu e outras cidades da região, como Salto, fizeram grandes filas nos postos de combustíveis para que pudessem abastecer seus veículos. A urgência? Uma possível greve dos caminhoneiros. Em poucas horas, alguns postos de Itu ficaram sem gasolina.

Na tarde de quinta-feira (19), a reportagem do JP esteve presente em estabelecimentos de diferentes pontos da cidade para saber como estava a movimentação, se ainda havia combustível suficiente e também como estavam os valores, uma vez que nesta semana ocorreram novos reajustes. A procura para abastecer era bem menor do que a registrada na noite anterior.

Gerente de um posto de combustíveis, situado na Avenida Otaviano Pereira Mendes, no bairro Liberdade, Hélio Alves Duraes comentou. “Ontem [quarta-feira] chegou a carreta que era para vender hoje [quinta-feira]. A carreta repõe diariamente. Vieram 10 mil litros de gasolina, 5 mil litros de diesel S10, 5 mil de diesel S500 e 23 mil litros de álcool. A gasolina que vendo em um dia inteiro, ontem vendi em menos de três horas. O pessoal achando que iria ter greve, encheu o posto de repente”, explica.

Sobre a grave, Hélio diz. “Não tem nada de greve, é fake news. O combustível está vindo normalmente. Ontem acabou a gasolina, mas vai ser reposta entre hoje à noite e amanhã [sexta-feira]”, disse.

Sobre o aumento dos preços dos combustíveis, Hélio explica que na semana passada a gasolina estava a R$ 6,29, agora está a R$6,49. O diesel S500 estava custando na semana passada R$ 5,59 e hoje está R$ 6,69 e o diesel S10 estava R$ 5,89 e hoje está R$ 7,09. O álcool manteve o preço (R$ 4,49).

Sem mencionar o preço anterior, Leandro Padovani, proprietário de um posto de combustíveis situado na Rua Madre Maria Brasília, na Vila Nova, comentou que o combustível “todo dia está subindo”.

Já sobre a procura para abastecer, Leandro comenta que foi grande e a gasolina comum havia acabado, mas estava para chegar mais ainda na quinta-feira. “A greve é especulação”, complementou.

Frentista de um posto situado na Avenida Prudente de Moraes, também na Vila Nova, João Leme confirmou o reajuste nos preços dos combustíveis e disse que na quinta-feira a procura aumentou bastante. “A gente costuma vender 10 mil litros de gasolina por dia, vendemos ontem uns 25 mil, mas está tendo reposição normal”.

O JP ouviu também um motorista, Luiz Campos Ribeiro, que aguardava para abastecer em um posto situado na Rua Floriano Peixoto, no Centro. “Espero que não tenha grave, se for pra frente [a grave] é um absurdo, será empurrar de vez o país pra baixo. Vai encarecer tudo”.

Sobre o reajuste dos preços do combustível, o motorista desabafou. “Isso é o pior. O preço só cresce. Toda semana aumenta”.

Fiscalização

Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Itu, por meio do Procon Municipal, informou que realiza monitoramento contínuo dos preços praticados pelos postos de combustíveis na cidade, com base em levantamentos periódicos. Nos dias 18 e 19 de março de 2026, por exemplo, foi realizada pesquisa que apontou valores médios de R$ 6,50 para a gasolina comum, R$ 4,65 para o etanol comum e R$ 7,48 para o diesel S-10, considerando pagamentos à vista e sem vinculação a aplicativos.

Diante de situações atípicas, como aumento repentino na demanda, o Procon intensifica a fiscalização para coibir práticas abusivas, como elevação injustificada de preços. Caso sejam identificadas irregularidades, os estabelecimentos podem ser notificados e sofrer sanções conforme a legislação vigente.

O órgão orienta que consumidores que identificarem possíveis abusos – como aumentos excessivos sem justificativa ou recusa de atendimento – registrem denúncia junto ao Procon Itu, por meio do telefone (11) 4886-9896 ou WhatsApp (11) 98622-1842. Sempre que possível, é importante guardar comprovantes, como notas fiscais ou registros de preços, que auxiliem na apuração.

O Procon reforça ainda que os consumidores pesquisem os valores antes de abastecer e utilizem ferramentas como aplicativos e o painel da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), que disponibiliza atualizações semanais de preços, contribuindo para uma escolha mais consciente.

Greve suspensa

Lideranças de caminhoneiros decidiram, em assembleia realizada na tarde de quinta-feira, no Sindicato dos Caminhoneiros da Baixada Santista (Sindicam), em Santos, não realizar paralisação, informou o portal “Metrópoles”. A decisão foi tomada após reunião com representantes de diversas associações, que avaliaram o cenário da categoria diante da alta do diesel e dos valores dos fretes.

Apesar da insatisfação, entidades de classe optaram por não deflagrar greve, mantendo o diálogo com autoridades e o acompanhamento do comportamento dos preços dos combustíveis, em alta devido aos conflitos no Oriente Médio entre Irã, Israel e os Estados Unidos.

A possibilidade de paralisação, tal qual ocorreu em março de 2018, era acompanhada e preocupava o Governo Federal. Em meio à pressão da categoria e à possibilidade de greve, o governo Lula (PT) publicou, na quinta, a Medida Provisória nº 1.343/2026, com o objetivo de endurecer a fiscalização do piso mínimo do frete e ampliar a proteção aos caminhoneiros.

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