Cinerama | Nuremberg: história ótima, ritmo lento

Drama histórico, 2025 | Direção: James Vanderbilt | Classificação indicativa: 16 anos | Duração: 2h29 | Em cartaz nos cinemas
NOTA: ✪✪✪
“Nuremberg” se passa no pós-Segunda Guerra, em 1945, na Alemanha, durante os julgamentos homônimos realizados pelas Forças Aliadas contra o regime nazista derrotado. A trama centra-se no psiquiatra americano Douglas Kelley (Rami Malek), designado a avaliar a aptidão mental de 22 oficiais nazistas que se tornaram prisioneiros e aguardam seus julgamentos por crimes de guerra.
Ao mesmo tempo, o promotor-chefe dos Aliados, Robert H. Jackson (Michael Shannon), fica encarregado da difícil tarefa de garantir que o regime nazista responda pelos horrores sem precedentes do Holocausto. Quando Douglas Kelley se encontra com Hermann Göring (Russell Crowe), o braço direito de Adolf Hitler, uma batalha interna se inicia, fazendo com que toda a sua inteligência e ideologia sejam deixadas de lado para buscar entender a verdadeira origem e natureza do mal.
O filme é baseado no livro “O Nazista e o Psiquiatra”, escrito por Jack El-Hai, e explora bastante a ambição de Kelley, que desde o começo deixa claro que quer escrever um livro sobre sua avaliação dos nazistas e lucrar com isso. Porém, à medida que ele começa a se aproximar mais daqueles homens, em especial Göring, ele passa a enxergar as pessoas por trás dos títulos que carregam, entrando na dúvida: por conta de seus terríveis atos, seriam eles mais ou menos humanos que o restante da humanidade?
As atuações de Malek e Crowe são ótimas e dão o tom do filme, que tem uma fotografia propositalmente escura e intimidadora – assim como foram os julgamentos de Nuremberg. Michael Shannon não brilha tanto e o restante do elenco tem pouca participação. O grande problema está no ritmo do roteiro, que acaba deixando o filme arrastado em muitos momentos, além de recheado de diálogos expositivos demais.
A direção de James Vanderbilt é apenas ok, já que o filme se sustenta mais na ambientação realista da história e na atuação de seus dois principais atores. Mas fica aquela sensação de que a produção poderia ir além, trazendo mais discussões sobre o conceito de mal e apresentando melhor todos os envolvidos naquele fatídico episódio. De todo modo, “Nuremberg” é um ótimo registro audiovisual que reforça a importância de lembrar para não repetir as mesmas mazelas do passado.

