Cinerama | O Justiceiro: Uma Última Morte

The Punisher: One Last Kill, Ação, 2026 | Direção: Reinaldo Marcus Green | Classificação indicativa: 18 anos | Duração: 50min | Disponível no Disney+
NOTA: ✪✪✪
Mesmo dentro da atual fase mais “sombria” da Marvel no Disney+, “O Justiceiro: Uma Última Morte” é tímido demais para explorar todo o potencial de Frank Castle. O especial estrelado por Jon Bernthal deixa a sensação de que estamos assistindo apenas ao prólogo de algo maior – talvez uma futura série, talvez um filme – e isso acaba sendo, ao mesmo tempo, sua principal qualidade e seu maior problema.
A produção surge logo após os acontecimentos de “Demolidor: Renascido”, colocando Castle novamente diante dos fantasmas do passado enquanto tenta encontrar algum propósito além da violência. A proposta é interessante. Afinal, o Justiceiro sempre funcionou melhor como um personagem consumido pelo trauma, incapaz de escapar da própria dor. E Bernthal continua entendendo isso como ninguém.
Sua composição de Frank Castle permanece intensa, cansada e permanentemente à beira de um colapso emocional. O ator encontra humanidade mesmo nos momentos mais brutais do personagem, algo raro em adaptações de anti-heróis tão violentos.
O problema é que o especial parece confiar demais apenas nessa interpretação. Quase tudo ao redor de Bernthal soa apressado, superficial ou simplesmente mal resolvido. O roteiro, escrito pelo próprio ator ao lado de Reinaldo Marcus Green, até tenta mergulhar em temas como culpa e vazio existencial, mas nunca desenvolve essas ideias de maneira realmente profunda.
Existe uma tentativa clara de aproximar o personagem da violência seca e crua dos quadrinhos adultos da Marvel, só que a execução raramente acompanha a ambição. Algumas cenas de luta têm coreografias burocráticas e efeitos visuais bastante questionáveis, quebrando completamente a imersão.
Ainda assim, há algo fascinante nessa nova encarnação do Justiceiro. Mesmo quando tropeça, o especial acerta ao tratar Frank Castle como um homem destruído, e não apenas como uma máquina de matar estilizada. Falta, porém, coragem para ir além da superfície.
“O Justiceiro: Uma Última Morte” termina exatamente quando parece começar de verdade – deixando um inevitável gosto de “quero mais”, mas também a impressão de que a Marvel ainda não descobriu qual história realmente deseja contar com o personagem.

