Cadastro para a implantação de rede de água em bairro gera debate na Câmara

A Prefeitura de Itu, em parceria com a Companhia Ituana de Saneamento (CIS), iniciou, na quarta-feira (09), o levantamento cadastral de famílias para implantação da rede de abastecimento de água na Vila da Paz 2 e 3. O objetivo é identificar o número de famílias e residências existentes no bairro, a fim de subsidiar o planejamento e a implantação de uma rede de abastecimento de água para atendimento à população local. A equipe que fará o levantamento estará devidamente identificada com crachá.

O anúncio, porém, gerou debate na Câmara de Vereadores, durante sessão ordinária no mesmo dia. Eduardo Ortiz (MDB), único vereador de oposição presente na sessão ordinária desta semana, chamou a medida de “eleitoreira”. “Que audácia é essa de começar esse processo agora, em pleno ano eleitoral? Pior: em plena campanha eleitoral”, comentou o edil.

Candidato a deputado estadual, Ortiz disse que a população dos referidos bairros ficou abandonada por tempos e que ela não pode ser tratada como “marketing eleitoreiro”. O vereador lembrou que, em 2019, a Câmara aprovou o projeto “Agora a casa é minha”, que previa a regularização fundiária e a infraestrutura dos bairros. “Sete anos se passaram e nada foi feito”.

Ortiz também recordou da “taxa de lixo”, que teria arrecadado cerca de R$ 17 milhões. “Houve vereador aqui que justificou o voto favorável dizendo que a verba serviria também para levar água encanada para os moradores da Vila da Paz. Está gravado, está nos anais desta Casa. O dinheiro foi arrecadado, mas a água não chegou”.

Já o vereador Luisinho Silveira (PDT) disse que a oposição torce pelo “quanto pior, melhor”. “O prefeito vai fazer o cadastro para distribuir água tratada na Vila da Paz, através de um estudo minucioso que foi feito naquela região, e o vereador de oposição disse que pode esperar mais um mês. Vai perguntar para a população da Vila da Paz se ela quer esperar mais”, disse.

Silveira comentou ainda que as famílias deverão ter a cobrança da chamada “tarifa social”, mais barata que a convencional. Segundo o edil, o processo envolve um planejamento detalhado, incluindo a preparação de reservatórios, para garantir o fornecimento de água encanada à comunidade, que é vista pelo executivo como uma prioridade social. “Vai vendo o naipe do candidato a deputado que nós temos em nossa cidade: reclamar de uma benfeitoria que a população da Vila da Paz tanto anseia”, comentou.

Eduardo Alves (PSB) também rebateu Ortiz. “Eu fico triste quando alguém vem falar que está fazendo porque é ano de eleição. Nós temos eleição a cada dois anos. No ano ímpar faz, no ano par, não?”, questionou o edil. Líder do governo, Balbina de Paula (PP) defendeu a gestão e disse que o prefeito Herculano Passos (Republicanos) vem ajudando muito a população da Vila da Paz. “Não dá para fazer tudo de imediato, mas ele tem pensado muito na classe mais necessitada”, afirmou ela, apontando que a oposição só aparece criticando.

Segundo a líder, atualmente gasta-se R$ 300 mil para abastecer a Vila da Paz – ela não informou se o valor é mensal ou anual. “Quero ver depois, quando a água estiver lá na Vila da Paz, se o vereador vai vir aqui falar”, comentou Balbina, afirmando que mais melhorias para a localidade estão no cronograma.

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