Daniela Arbex destaca força da literatura e encontro com jovens leitores em Itu

A jornalista e escritora Daniela Arbex esteve em Itu na última sexta-feira (04), onde participou de atividades do projeto Viagem Literária 2026, iniciativa da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, realizada pela SP Leituras. O encontro aberto ao público ocorreu na Biblioteca Pública “Prof. Olavo Valente de Almeida”, no CILA (Centro Ituano de Letras e Artes), reunindo leitores para uma conversa sobre literatura, jornalismo e memória.
A programação também incluiu, pela manhã, uma atividade voltada a estudantes da Escola Estadual “Francisco Nardy Filho”. Para Daniela, o contato com os jovens leitores tem sido um dos aspectos mais marcantes de seu retorno ao projeto, do qual já havia participado em outras ocasiões, anos atrás.
“Tem sido muito inspirador encontrar esses leitores tão jovens e ver nos olhos deles um brilho, uma vontade de também fazer a diferença”, afirmou em entrevista ao JP. Segundo a escritora, a experiência reforça a percepção de que sua produção, embora trate frequentemente de temas difíceis, consegue alcançar diferentes públicos.
Daniela Arbex é autora de livros-reportagem como “Holocausto Brasileiro”, que revelou as histórias de pacientes submetidos a condições desumanas no Hospital Colônia de Barbacena (MG) e posteriormente ganhou uma adaptação documental, e “Cova 312”, vencedor do Prêmio Jabuti. Em 2024, lançou “Longe do Ninho”, obra que aborda uma das maiores tragédias envolvendo jovens atletas no país e que recebeu o Prêmio Jabuti de 2025.
Ao longo da carreira, a jornalista se consolidou em um gênero que, segundo ela, ainda encontra menos espaço no mercado editorial brasileiro do que a ficção. Para Daniela, porém, o livro-reportagem exerce uma função que vai além do entretenimento. “Nem sempre a gente escreve coisas que as pessoas querem ler, mas que elas precisam ler e ainda não sabem”, destacou.
Na avaliação da escritora, o interesse por histórias reais vem crescendo justamente pela necessidade de conhecer episódios que fazem parte da história brasileira. “Se uma história não é contada, é como se ela não tivesse existido”, afirmou.
Mulheres ganham espaço
Outro tema abordado por Daniela durante a entrevista foi o crescimento da presença feminina entre os principais nomes da literatura brasileira. Para ela, a atual participação das mulheres no mercado editorial representa uma mudança importante em um espaço historicamente dominado por homens.
A escritora citou como exemplos autoras que atualmente ocupam posições de destaque nas listas de livros mais vendidos, como Carla Madeira e Socorro Acioli. Segundo Daniela, o movimento demonstra uma valorização crescente da produção literária feminina e a ampliação dos temas e perspectivas presentes na literatura. “É muito bonito ver esse movimento. Acho que é uma valorização da escrita feminina”, afirmou.
Daniela também lembrou que a presença das mulheres no jornalismo investigativo era muito menor quando iniciou sua carreira. Para ela, a conquista de espaço por escritoras e jornalistas ajuda a abrir caminho para novas gerações.
“Quando comecei a fazer jornalismo investigativo, não tinha mulher investigando o Brasil. Era sempre homem, homem, homem. Então você vai abrindo caminhos e vai inspirando outras meninas e outras mulheres”, disse.
Bienal do Livro
A passagem de Daniela Arbex por Itu ocorreu justamente durante a realização da 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo. O evento começou na semana passada e segue até domingo (13), no Distrito Anhembi, reunindo autores, editoras e leitores em uma extensa programação cultural.
Para Daniela, a Bienal representa principalmente um momento de encontro entre escritores e público. “Celebração é a melhor palavra. É o momento do encontro com os leitores”, afirmou.
A escritora participou no sábado (05) da mesa “Quando o crime vira entretenimento: o mundo do true crime”, no Salão de Ideias, além de outras atividades ao longo da programação. Também esteve prevista sua participação no estande do Prêmio Jabuti, em discussão sobre construção de memória e livro-reportagem.
Daniela contou que a participação na mesa sobre true crime também representa uma oportunidade de refletir sobre a maneira como seu próprio trabalho é classificado e recebido pelo público. “Eu nunca tinha pensado no meu trabalho como true crime. Então está me pondo para pensar sobre”, comentou.
Para ela, a grande movimentação da Bienal também contraria a ideia recorrente de que o brasileiro não lê. “É o momento em que a gente vê que o Brasil lê. O leitor está lá, está todo mundo lá celebrando a escrita, a potência da palavra”, afirmou.
Viagem Literária
Em Itu, Daniela foi uma das convidadas da edição 2026 da Viagem Literária, que neste ano tem como tema “Mulheres da Literatura”. O programa percorre bibliotecas públicas paulistas promovendo encontros entre escritores e leitores, além de atividades de formação e incentivo à leitura.
A atividade realizada no CILA contou com apoio da Prefeitura de Itu, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Patrimônio Histórico. A programação buscou aproximar o público ituano de uma das principais autoras de livro-reportagem do país, justamente em um período em que a literatura brasileira ganha as ruas, as escolas e grandes espaços de encontro como a Bienal de São Paulo.

