APAE de Itu: Os desafios de gerir uma instituição em tempos de crise
Por: Daniel Nápoli
No ano passado, a crise econômica atingiu o Brasil de uma forma mais impactante. Com isso, diversos setores do país sentiram o reflexo desse problema, que persiste até o momento, sem previsões de melhora.
Empresários, operários, autônomos, todas as pessoas, de alguma forma, estão sendo afetadas. Inseridas “neste meio”, estão as instituições filantrópicas, como a APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais), que depende de doações e apoios frequentes para seguir em suas missão assistencial.
O gerente geral da APAE de Itu, Rodrigo Prévide, relata sobre os desafios de manter a qualidade do atendimento, em meio às incertezas do atual cenário econômico nacional. “Em tempos de crise, as pessoas acabam sendo obrigadas a cortar gastos e, infelizmente, as doações são as primeiras coisas que o pessoal acaba ‘segurando’ para não comprometer seu orçamento. Sabemos que não é fácil a situação e isso acaba também interferindo em outros segmentos e, com isso, somos forçados a nos reinventarmos, para mantermos firme a saúde financeira da instituição”.
O gerente explica que o número de doações, em relação aos anos anteriores, teve uma queda considerável. “Nós temos uma equipe de telemarketing bastante comprometida e que, diariamente, entra em contato com a população ituana, porém com essa dificuldade financeira, o pessoal não tem doado mais como antes. A queda é significativa e preocupante, pois se prosseguir nesse ritmo, teremos enormes dificuldades, uma vez que as despesas continuam as mesmas ou maiores e o dinheiro em caixa diminuindo”.
Rodrigo Prévide explicou também sobre a rotina dos funcionários da APAE nos últimos tempos. “A nossa equipe de atendimento, vem fazendo ajustes. O número de alunos aumentou, mas não podemos fazer o mesmo com o número de funcionários, pois com isso se geram mais gastos e sobe o orçamento. Hoje, conseguimos manter o equilíbrio nas finanças, com um número ‘x’ de pessoas. Mesmo assim, nossa equipe tem se desdobrado e mantido a qualidade do atendimento. Nós agradecemos muito o empenho do nosso time de profissionais”.
O gerente geral da APAE de Itu explicou ainda como se encontram as obras de construção da nova sede da APAE, na avenida Daniel Ratti, que fica na Estrada do Pinheirinho. “É importante dizer, que a verba destinada para as obras de nossa sede própria, não vieram das doações realizadas por nossos contribuintes, não saíram de nosso caixa. Essa verba é originada de uma indenização, que a Prefeitura de Itu, nos repassou, devido à venda do prédio em que nos encontramos atualmente, uma vez que havia um comodato, em que poderíamos ocupar este espaço (localizado na rua Madre Maria Basília, Centro), até o ano de 2030. Ou seja, não podemos usar este dinheiro, para nenhuma outra atividade a não ser a conclusão das obras. Dizemos isso, para que não haja nenhum confusão, já que estamos construindo uma sede e solicitando doações”.
As pessoas que desejam contribuir de alguma forma com a APAE de Itu podem entrar em contato pelo telefone (11) 4022-4604.
Telemarketing
Possuindo conhecimento na área de telemarketing e das necessidades de uma instituição, a supervisora de telemarketing da Apae de Itu, Patrícia Vieira, reforça o pedido de apoio dos contribuintes para a APAE de Itu. “O que estamos solicitando é uma manutenção e um pedido para que pessoas que tenham condições, e ainda não fizeram suas doações,entrem para nosso time de contribuintes e que acompanhem nosso trabalho, que é feito com muita seriedade. Lembrando, que devido ao estatuto das APAEs, só podemos receber recursos da cidade da respectiva unidade, ou seja, só da população de Itu, o que afunila ainda mais”, ressalta.
“Em nome da Apae, faço questão de agradecer nossos parceiros, os empresários, assim como os demais ituanos que, todo mês, estão ali de alguma forma nos apoiando, doando R$ 5,00 que seja, para que possamos manter nossas atividades. Temos professores, monitores, que necessitam de remuneração. Temos voluntários, mas por uma série de fatores, compromissos profissionais, não podem vir à Apae com frequência e nossos assistidos necessitam de um acompanhamento diário, para a sua evolução. Isso é muito importante e tudo isso só é possível, graças a colaboração da população ituana, ao longo desse tempo de atividade, que vem há décadas”, conclui Rodrigo Prévide.
Microcefalia
“Se pensarmos nesse grande número de crianças, que estão nascendo com microcefalia, como elas receberão o atendimento adequado e a atenção que merecem e necessitam, com as APAEs sem recursos? Infelizmente as verbas recebidas pelo governo, não acompanham os reajustes que são necessários dos profissionais. Daí a importância da instituição promover eventos, com a ajuda da sociedade, para captação de recursos”, completou o gerente.
