Câmara de Itu aprova moção de repúdio a Moacir Cova

A Câmara de Vereadores de Itu, em discussão única, aprovou na sessão desta quinta-feira (23) a Moção Nº 428/2026, de repúdio ao episódio envolvendo o vereador e investigador Moacir Cova (Podemos), em que ele atirou em direção a cães durante uma abordagem policial. O documento foi aprovado com dez votos favoráveis e dois contrários, de Cova e Eduardo Ortiz (MDB).
A moção de repúdio é de autoria dos vereadores Ana D’Elboux (Republicanos), Patrícia da ASPA (PSD), Neto Beluci (Republicanos), Luisinho Silveira (PDT), Balbina de Paula (PP), Donizetti André (PP), Dr. José Galvão (PL), Eduardo Alves (PSB), Elaine do Posto (Democrata), Rebert do Gás (União Brasil) e Thiago Gonçales (PL).
A discussão da moção foi intensa, com os vereadores de situação criticando a atuação de Cova no episódio, que teve ampla repercussão nacional. “Os disparos não atingiram os cães, mas isso não torna a situação aceitável”, disse Ana D’Elboux, que é defensora da causa animal. Já José Galvão disse que esse tipo de moção não é usual e pontuou que as autoridades não podem “passar dos limites”.
Patrícia da ASPA destacou que houve manifestações de diversas entidades e políticos, não só da situação local. Eduardo Alves manifestou repúdio total ao fato, que disse não ser normal. Segundo o vereador, a violência não pode ser banalizada e o silêncio, neste caso, seria conivência ao ocorrido.
Rebert do Gás disse que é atirador esportivo e frisou que não há disparo de advertência totalmente seguro em ambiente urbano. “Defender a segurança pública é também defender a boa técnica”, apontou. Donizetti André disse que a moção não é perseguição contra ninguém, mas que era preciso que a Câmara se posicionasse.
Moacir Cova, por sua vez, se amparou no conceito de excludente de ilicitude, declarando que fez o disparo para sua proteção. Ele cutucou os adversários. “Agora aparecem os especialistas em segurança com um ‘textão’ pronto para querer derrubar o vereador e o policial”, afirmou, dizendo que o caso está sendo usado de “cortina de fumaça” para episódios que realmente importariam, como o do menino que morreu no Hospital da Criança de Itu.
Com a aprovação, a moção de repúdio será encaminhada à Comissão de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara de Itu, presidida por Thiago Gonçales – que já declarou que Cova terá amplo direito de defesa. A moção se junta a outros documentos, como uma solicitação de providências do Instituto Ampara Animal, uma moção de repúdio da Câmara de Sorocaba e um requerimento assinado por todos os vereadores da base também cobrando ação.

