Cinerama | O Filho de Mil Homens

Drama, 2025 | Direção: Daniel Rezende | Classificação indicativa: 16 anos | Duração: 2h06 | Disponível na Netflix
NOTA: ✪✪✪✪
Baseado na obra do escritor português Valter Hugo Mãe, “O Filho de Mil Homens” acompanha Crisóstomo (Rodrigo Santoro), um pescador solitário no auge de seus 40 anos que carrega dentro de si a culpa por não ter conseguido ser pai. Na procura de um filho sem pai, já que ele mesmo é um pai sem filho, Crisóstomo esbarra com Camilo (Miguel Martines), um garoto órfão de apenas 12 anos de idade.
Logo, eles iniciam juntos uma jornada arriscada, mas recompensadora, de formar uma família nada convencional. E esse é o ponto central deste ótimo filme disponível na Netflix, em que o espectador se encanta não só com os belos cenários à beira-mar, mas também com o texto poético e acalentador.
No povoado onde Crisóstomo e Camilo vivem, um jovem incompreendido chamado Antonino (Johnny Massaro) e uma mulher fugindo da própria dor chamada Isaura (Rebeca Jamir) cruzam o caminho deles. Juntos, os quatro aprendem o verdadeiro significado de família e o propósito de compartilhar a vida, dando ainda mais significado ao longa-metragem.
Escrito e dirigido por Daniel Rezende, a obra discute os frutos da violência, já que todos os personagens passaram por traumas no passado e constroem um retrato delicado sobre a natureza da vida e o que é o amor de fato, sem preconceitos, sem julgamentos.
Mas já vou avisando: “O Filho de Mil Homens” não é para todo tipo de espectador. Mais lento do que a média dos lançamentos atuais, o filme é daqueles que exigem paciência, atenção e contemplação. Isso acaba tornando a experiência um tanto morosa em alguns momentos, mas nada que tire o encanto da trama.
O elenco do filme está muito bom, mas preciso destacar a atuação magistral de Rodrigo Santoro. Com o olhar carregado de pesar, inocência e afeto ao mesmo tempo, seu Crisóstomo consegue transmitir todas as sensações com maestria e é o condutor nesta trama em que o real e o ilusório se confundem.
Filme para ser visto com paciência e sem pressa, “O Filho de Mil Homens” ainda traz tantas outras camadas, outros temas que ficam martelando a cabeça do espectador que merece até ser visto novamente. Grandes filmes geralmente são assim.

