Cinerama | Supergirl: eficiente, mas episódico

NOTA: ✪✪✪

Os filmes de super-heróis passam por um momento delicado. Após o boom com obras grandiosas, como “Vingadores” e até mesmo a trilogia do Batman, de Christopher Nolan, esse subgênero do cinema passou a viver altos e baixos, com produções no mínimo questionáveis. Chegou o momento de dar um passo para trás e começar novamente, com mais pé no chão. Foi o que fez James Gunn com seu novo universo de filmes baseado em personagens da DC.

O primeiro projeto foi “Superman”, lançado no ano passado e que foi um grande sucesso de crítica. O público também gostou, apesar de os números na bilheteria não chegarem nem perto do que já foram um dia. Agora, a aposta é na prima de Kal-El, a super-heroína “Supergirl”, que ganha um longa-metragem à altura. Outro filme solo da personagem foi lançado em 1984, mas acabou se tornando um verdadeiro fracasso.

Fracasso, aliás, é algo que este novo filme também pode enfrentar. O timing de lançamento foi dos piores, bem em meio a uma Copa do Mundo. Para piorar, a concorrência nos cinemas é pesada, com um “Toy Story” recém-lançado e um novo “Homem-Aranha” prestes a estrear. O que é uma pena, pois “Supergirl” é um filme decente. Fica aquém de “Superman”, mas é bem-feito e entretém.

A trama é baseada no quadrinho escrito por Tom King e desenhado pela brasileira Bilquis Evely (que, inclusive, é homenageada na história). A personagem principal é vivida pela promissora Milly Alcock, que se sai bem. Sua Supergirl é descolada e desbocada, ainda passando pelo luto pela perda de seu planeta natal, Krypton.

Celebrando seus 23 anos, ela vai para um planeta com sol vermelho, que a deixa vulnerável, para poder tomar um porre à vontade. Lá, conhece a jovem Ruthye (Eve Ridley), que perdeu a família e quer partir em busca de vingança contra o assassino, o terrível Krem dos Montes Amarelos (Matthias Schoenaerts). A partir daí, vemos um grande road movie interplanetário, com a heroína precisando enfrentar seus próprios fantasmas para ajudar a nova companheira.

O filme é eficiente ao contar a origem da personagem, ao mesmo tempo em que entrega uma aventura interessante. A HQ é muito mais poética e interessante, é claro, mas a adaptação é honesta. O que me incomodou foi a fotografia excessivamente escura, bem diferente da arte espetacular de Bilquis, colorida pelo também brasileiro Mat Lopes.

No fim, a sensação que fica é a de uma obra episódica, sem grandes impactos. Mas talvez seja exatamente isso o que se faz necessário neste momento: filmes mais autocontidos, sem grandes pretensões e que apenas contem uma história. Nisso, “Supergirl” acerta em cheio.

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