Covid-19: a importância de se vacinar

Diego, que tomou a primeira dose do imunizante, destaca a importância de se vacinar (Foto: Arquivo pessoal)

Milhões de pessoas ainda aguardam com ansiedade o momento de poder tomar a vacina contra a Covid-19. Mas, nos últimos meses, para cada post de um familiar ou um amigo contando os dias para se imunizar, certamente você deve ter visto também aqueles que querem se imunizar, mas ao mesmo tempo “escolher” a marca do imunizante (os chamados “sommelier de vacinas”), alegando que a vacina “x” é mais eficaz do que a “y”, e por aí vai.

São muitos os casos também em que, por medo de uma reação da vacina, as pessoas estão deixando de tomar a segunda dose ou até mesmo a primeira do imunizante, atrasando assim o processo da imunização em massa.

Na semana em que Itu ultrapassou a marca de 60 mil pessoas vacinadas com a 1ª dose da vacina, o JP conversou com a coordenadora da Viep (Vigilância Epidemiológica) da cidade, Lúcia Helena Rubira Pacífico, que destacou que “é fundamental que o máximo de pessoas se vacinem para deter essa pandemia”.

Lúcia reforça que “não há tratamento precoce e tampouco um protocolo para garantir a recuperação das pessoas infectadas, fora o suporte aos sintomas e a observação de sinais vitais. É uma doença que castiga muito quem desenvolve quadros mais sérios, podendo levar à intubação e deixar sequelas naqueles que se recuperam. A Covid-19 é uma doença com potencial fatal, que já ceifou a vida de meio milhão de brasileiros”, afirma.

 A coordenadora explica que, apesar do número de faltantes à vacinação seja mínimo em Itu, “a Secretaria de Saúde realiza um trabalho permanente de busca ativa, convocando esses munícipes para a imunização”. Questionada sobre as reações adversas provocadas, Lúcia Helena esclarece que as reações relatadas para qualquer uma das vacinas disponíveis são de sintomas gripais, sem maiores gravidades, como coriza, dor de cabeça e mal estar.

“Esses sintomas, quando ocorrem, desaparecem num curto período e não trazem prejuízo para a saúde de quem foi vacinado. Além disso, por pior que sejam as reações das vacinas, elas não se comparam, nem de longe, com as complicações causadas pelo coronavírus que, como já mencionei, deixam sequelas e podem levar à morte”, acrescenta a coordenadora.

 O JP também esteve em contato com dois munícipes de Itu que recentemente receberam a primeira dose da AstraZeneca/Oxford. O jornalista Diego Serni Coutinho, de 24 anos, se vacinou no dia 7 deste mês, logo que a vacinação foi aberta para pessoas acima de 18 anos com comorbidades.

 “Durante o dia eu não tive nada, fui começar a ter reação logo que fui dormir. Tive calafrio, daí durante a madrugada tive uma sensação de febre e tive um pouco de fraqueza durante a semana. No primeiro dia foi mais forte e durante a semana foi passando e fiquei com muita dor no braço”, conta.

 Parcialmente imunizado (já que aguarda a 2ª dose), o jornalista faz questão de deixar uma mensagem para a população. “Se vacinem. O quanto antes a cidade concluir as metas de vacinação, a gente consegue voltar para alguma coisa parecida com o que era antes da pandemia. É importante todo mundo agora ter um espírito de coletividade. Juntos vamos conseguir sair dessa. A vacinação é muito importante e o trabalho do SUS é fundamental”.

 O autônomo Wagner Pires, de 58 anos, também falou ao JP sobre as reações ao se vacinar. “Dor no corpo, calafrio e muita dor de cabeça”. Porém, ao contrário de Diego, o período de reação foi mais curto. “Foi à noite e durante o dia seguinte”, explicou o ituano, que se imunizou no dia 12 deste mês.

Wagner aproveita e deixa um recado para quem não quer tomar a vacina ou quer “escolher” o imunizante. “É ignorância não querer tomar a vacina e, além disso, querer escolher qual vai tomar. Quando chegar a vez, tem que tomar qual tiver, o importante é poder viver e só vamos conseguir voltar à vida normal com todos vacinados. Valeu a pena ter a reação e agora estar imunizado”.

O que mais você precisa saber

Ao Portal G1, a coordenadora do Programa Nacional de Imunizações (PNI), a epidemiologista Carla Domingues deu cinco motivos para não se escolher a vacina que irá tomar: urgência em se criar imunidade individual contra a Covid-19; necessidade de acelerar e aumentar a cobertura da população; não há vacinas suficientes para o ‘sommelier’ (como são chamados os que escolhem a marca); prioridade de evitar a circulação do vírus e novas variantes; e salvar vidas é também uma responsabilidade coletiva.

No Brasil, estão disponíveis até o momento quatro vacinas: a CoronaVac (desenvolvida pela biofarmacêutica chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan), a da Fiocruz (parceria entre a anglo-sueca AstraZeneca e a Universidade de Oxford), a da farmacêutica estadunidense Pfizer (em parceira com a BioNtech) e a da Janssen (braço farmacêutico na Bélgica da empresa Johnson & Johnson). A última chegou esta semana ao país e é a única que tem apenas uma dose.

As eficácias das vacinas variam de 50,38% (eficácia global da CoronaVac, que pode chegar até 77,96% em casos leves) e 95% (no caso da vacina da Pfizer). Independente das porcentagens, os especialistas reforçam que, neste momento, é importante que o máximo de pessoas sejam vacinadas.

Quem pode se vacinar hoje?

Neste sábado (26), podem se vacinar com a primeira dose do imunizante contra Covid-19 as pessoas de 43 a 59 anos. A vacinação ocorrerá no drive-thru do estacionamento da Prefeitura de Itu e na Subprefeitura Regional do Pirapitingui, das 7h às 15h.

Também podem receber a 1ª dose as gestantes e puérperas acima de 18 anos, a 2ª dose de CoronaVac para quem tomou a 1a até dia 29/05, a 2ª dose da AstraZeneca para quem tomou a 1ª até 03/04 e a 2ª dose de gestantes e puérperas para quem tomou a 1ª dose até 29/05.

 É recomendável que os munícipes que ainda não preencheram o cadastro no site Vacina Já (https://vacinaja.sp.gov.br), se inscrevam para agilizar o atendimento. Nesta data, também prossegue a vacinação para pessoas com deficiência física, visual, intelectual ou auditiva permanente, que tenham entre 18 e 59 anos.