Crianças e adolescentes começam a se vacinar contra a dengue em Itu

Marcelo e Isabella exibem orgulhosos o comprovante de vacinação. Pai reforça a importância de imunizar as crianças (Foto: Arquivo pessoal)

Foi iniciada na última segunda-feira (06), em Itu, a vacinação contra a dengue. A imunização ocorre em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS) e contempla, neste momento, crianças e adolescentes na faixa etária de 10 anos a 14 anos, 11 meses e 29 dias.

A Secretaria Municipal de Saúde, em nota, informa que neste final de semana fará o balanço dos primeiros dias de vacinação contra a dengue. O JP esteve na UBS 08 – Centro nesta semana e constatou que, no local, a procura pela imunização ainda era pequena. Porém, de acordo com o DJ e técnico em informática Marcelo Santos, de 49 anos, a procura era grande na UBS 07, na Vila São José.

Marcelo levou a filha, Isabella Santos Lacerda, de 11 anos, para se vacinar. “Assim que soube da disponibilidade da vacina eu levei a minha filha para vacinar. Ela foi uma das primeiras crianças a ser vacinada. Apesar de uma onda antivacina que a gente tem, que virou moda, é de extrema importância a vacinação das nossas crianças, não só para proteção individual, pois quando você tem uma comunidade, uma população vacinada você acaba contribuindo para que a doença pare de circular e agravando mais a situação de saúde pública”.

Isabella é estudante da Escola Estadual “Prof. Pery Guarany Blackman” e Marcelo aproveita para destacar uma atitude da instituição. “Achei muito bacana a atitude do colégio, que mandou mensagens para os pais que a vacina estava disponível e passaram todas as  informações para que as crianças pudessem se vacinar. Tinha um monte de aluno de lá para vacinar na UBS quando levei a Isabella”, destaca.

Situação da dengue em Itu

O Periscópio conversou também com o biólogo e coordenador do Serviço de Controle de Vetores, Gilberto Lucena, para entender o que motivou o número alto de casos de dengue na cidade e quais são as expectativas para a sequência do ano. Ele ressalta que a epidemia de dengue registrada neste ano trata-se de um evento nacional e que o clima, com um inverno atípico em 2023 e com as constantes altas temperaturas, foi um dos fatores que contribuiu para a transmissão em larga escala.

Lucena destaca que logo no começo da epidemia, Itu estava entre os poucos municípios que fechava o diagnóstico de dengue com o teste rápido, o que levou a cidade a ter, por um certo tempo, a impressão de um número de casos muito maior do que o de outras cidades de nossa região.

A suscetibilidade também é apontada pelo biólogo como um dos fatores. “Nos últimos oito anos, Itu foi o município da região que registrou o menor número de casos de dengue e fez com que a cidade tivesse a maior quantidade de pessoas suscetíveis ao vírus nesta epidemia”.

Além desses fatores, Lucena afirma que o comportamento de parte da população contribuiu para a grande transmissão, uma vez que muitas pessoas mantêm em suas casas criadouros do mosquito Aedes aegypti.

De acordo com recente estatística do serviço de Controle de Vetores de Itu, 1.091 autuações foram registradas por terem sido encontradas larvas do mosquito Aedes aegypti em imóveis.

O biólogo informa que todas as ações realizadas pelo serviço de Controle de Vetores seguem o plano federal, com visitas de casa em casa, nebulização com bombas costais, além da utilização do fumacê. Essas ações já contemplaram mais de 45 bairros no município.

De acordo com Lucena, a expectativa é que, com a chegada do frio e a significativa redução de suscetíveis, a tendência é a diminuição da quantidade de casos da doença em Itu. Até a tarde de sexta-feira (10), Itu contava com 10.254 casos de dengue em 2024, contabilizando quatro óbitos pela doença. O mais recente é de  um morador do Jardim Padre Bento, com 62 anos, sem comorbidades, falecido em 09 de maio. O município conta ainda com um óbito em investigação, ocorrido em 17 de abril.

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