Do leitor ao autor: escritores revelam livros que marcaram suas trajetórias

Celebrado na quinta-feira (23), o Dia Mundial do Livro é uma data que vai além da valorização da leitura: é também um convite para refletir sobre as histórias que moldam vidas. Se todo professor já foi um aluno, todo escritor já foi – e também segue sendo – leitor. Em Itu, escritores de diferentes trajetórias relembram obras marcantes, que despertaram o desejo de escrever.

Para a escritora Amanda Lopes, o contato com a literatura começou ainda na infância, dentro de casa. Filha de professora, ela cresceu cercada por livros e pelo exemplo materno. “Minha mãe nunca me impôs nada; meu contato com os livros sempre foi natural. Eu observava muito e, dessa observação, nasceu a criação”, relembra.

Entre as primeiras influências, Amanda destaca o livro infantil “A Galinha Ruiva”, que a marcou pelas ilustrações simples e pela mensagem de coragem e persistência. “A história despertou em mim essa mesma coragem e me inspirou a não desistir por medo”, conta.

Aos 9 anos, ela já dava seus primeiros passos como autora, criando um livro artesanal, com recortes e desenhos, ambientado em um sítio. “Eu acreditava que era um livro pronto para o mundo. A escritora Amanda já estava nascendo ali”.

Já a escritora Nani Mazurchi tem uma relação ainda mais profunda com a escrita. Após passar por uma cirurgia neurológica, foi na literatura que encontrou refúgio. “O livro me salvou. Durante a recuperação, comecei a escrever e ilustrar histórias infantis para esquecer a dor”, relata.

Segundo Nani, sua inspiração surgiu justamente desse processo, durante sua recuperação. “Os livros que me inspiraram a ser escritora foram os meus próprios livros. Eu comecei e não parei mais”, diz. Seu primeiro trabalho, ‘Cadê as Cenouras?’, ocupa um lugar especial: “É o meu xodó. Fala sobre sentimentos e julgamentos”. Para comemorar a data, todo ano Nani participa de ações de doações de livros.

Para Paulo Stucchi, a influência veio das leituras escolares. Ele destaca “O Escaravelho do Diabo”, de Marcos Rey, como um divisor de águas. “Li quando era criança e aquilo me marcou muito. Comecei a escrever com cerca de 9 anos, usando a máquina Olivetti do meu pai”, conta.

A mesma coleção também marcou a trajetória de Luis Fernando Chiacherini. Ele relembra a importância de uma professora do ensino fundamental que incentivava a leitura por meio da Coleção Vagalume. “A cada bimestre, tínhamos um livro diferente. Isso foi há mais de 35 anos, mas ficou na memória”, afirma.

Entre os títulos que o influenciaram, ele cita “Os Pequenos Jangadeiros”, “A Ilha Perdida”, “O Caso da Borboleta Atíria”, “O Escaravelho do Diabo” e “Éramos Seis”. “Essas leituras foram fundamentais para despertar o interesse pela escrita”, completa.

Seja por meio da infância, da escola ou de momentos de superação, os livros seguem sendo portas de entrada para novos mundos e, muitas vezes, para novas vozes.

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