Editorial: Uma vitória do povo!

O jargão popular diz que depois da tempestade vem a bonança. Em Itu se diz que com a seca veio o sofrimento. A falta de água verificada até o início do ano passado trouxe uma repentina decadência para o município. Foi um martírio passar os quase 11 meses de estiagem e Itu perdeu empresas, investimentos e até moradores. A fama negativa ganhou notoriedade nacional e mesmo internacional.

Só quem ama esta terra, passou por essa provação e não tem memória fraca, pode avaliar a importância da obra de captação dos riachos Mombaça e Pau D´Alho que acaba de ser entregue para a população. Na hipótese sonhada de que essa realização venha solucionar o problema hídrico do município, há que se concluir que um novo tempo se recomeça em Itu, para atrair indústrias, investimentos e, inclusive, moradores.

A imensa maioria da população sabia (e ainda sabe) que a concessão do SAAE para a Águas de Itu foi um desastre. Uma autarquia que era superavitária, que ajudava até a pagar o salário dos servidores não raras vezes, foi entregue de mão beijada para aventureiros que visavam mais o lucro do que atender a população. Foi aí que a cidade se revoltou e com toda a razão. E as manifestações de protestos foram as maiores da história do município, pois quem podia comprar água ainda sofria menos, mas os que não tinham condições se submetiam a diferentes sacrifícios para socorrer a própria família.

E nesses 11 meses terríveis, poucos foram os que se solidarizaram com o povo, principalmente os políticos, ainda mais aqueles com mandato. Porém, os maiores alvos da indignação popular foram o Prefeito e o Vice-Prefeito, Tuíze e Neto Beluci, respectivamente. Ficaram ambos praticamente sós para enfrentar a situação, vítimas de vaias e xingamentos enquanto que outros pareciam dizer “não estou nem aí”. Mas, na verdade, a pressão do povo resultou positivamente. Mesmo às pressas foi decidida pela construção da Adutora do Mombaça e Pau D´Alho.

Em razão desses fatos, se explica a indisfarçável alegria de Tuíze e Neto na entrega da obra ocorrida dia destes. São os maiores responsáveis por essa vitória que deve ser creditada mais do que nunca ao povo de Itu, pelas agruras que sofreu, pela resistência que mostrou e pela indignação que levou às ruas. Mais ainda quando a atual administração já anuncia a elaboração de um novo projeto para a represa do Riacho Pirajibu, visando preferencialmente a região do Pirapitingui e, em especial, o Cidade Nova.

Como não poderia deixar de ser, tanto na Câmara Municipal como nas redes sociais, a oposição está tentando diminuir o impacto positivo da obra, levantando suspeitas de falhas existentes na mesma. Faz parte da política brasileira. Já dizia o ACM: “eu mostro os defeitos dos meus adversários. Se eles não tiverem, eu invento”. Isso deve valer também para as realizações adversárias. Faz parte do jogo democrático. Mesmo porque a existência de falhas não é impossível.

Acontece que, logo em seguida, o Prefeito Tuíze, até com alguma surpresa, denunciou o contrato de Concessão com a Águas de Itu na justiça, fazendo com que o complexo hídrico e de esgoto do município retorne para o SAAE, um desejo mantido pelos ituanos, mesmo quando houve a estapafúrdia concessão que ora se encerra. Como o SAAE ficou sem estrutura física e técnica para as operações que lhe concernem, foi fechado um contrato de emergência com a Empresa EPPO, por 6 meses, que deverá gerir as atividades de águas e esgoto da cidade.

Contra essa decisão, o PTB – Partido Trabalhista Brasileiro – entrou com denúncia no Ministério Público com relação a possível incapacidade da EPPO em levar a bom termo esse contrato. (Veja matéria na página 04). Essa ação do PTB demonstra que as forças políticas do município estarão de olho no futuro das atividades do SAAE, o que vem repercutindo positivamente no seio do povo. Mas, por enquanto não se pode negar que, tanto a Adutora Mombaça como a retomada do SAAE são realizações que enchem de esperança uma cidade que há de retomar o caminho do progresso.

Que o próximo prefeito a ser eleito em outubro seja menos político (que governa visando a próxima eleição) e mais administrador (que governa visando a futura geração). Tomara!!!