Entenda por que existe atraso nas transmissões dos jogos

Quem acompanha eventos esportivos ao vivo já percebeu uma situação curiosa: muitas vezes o vizinho comemora um gol antes que ele apareça na própria televisão ou celular. Isso acontece por causa da chamada latência, termo técnico que define o tempo necessário para que um sinal percorra todo o caminho entre a captação da imagem e sua exibição ao público.
Na prática, o atraso percebido pelo telespectador é conhecido como delay. Embora os dois termos sejam frequentemente usados como sinônimos, a latência é a medida técnica do tempo gasto no processo, enquanto o delay é o atraso efetivamente notado entre o acontecimento real e sua transmissão.
Em uma partida de futebol, as imagens captadas pelas câmeras passam inicialmente por uma unidade de produção, onde são selecionadas, editadas e transformadas em um sinal de transmissão. A partir daí, o conteúdo segue por satélites, fibras ópticas e centros de distribuição até chegar ao público. Cada etapa acrescenta frações de segundo ao processo.
Na TV digital aberta, como as transmissões realizadas por Globo e SBT, o sinal segue um caminho relativamente direto até as antenas transmissoras e, depois, aos televisores equipados com receptor digital. Por isso, a latência costuma ser menor, normalmente variando entre poucos segundos e cerca de dez segundos em relação ao evento real.
Já nas transmissões pela internet, como ocorre em plataformas de streaming, o processo é mais complexo. Antes de chegar ao espectador, o vídeo precisa ser comprimido, dividido em pacotes de dados, enviado para servidores espalhados por diferentes regiões e adaptado à velocidade da conexão de cada usuário. Além disso, o aplicativo ou navegador mantém uma pequena reserva de dados – chamada de buffer – para evitar travamentos. Todo esse processamento aumenta a latência.
Outro fator importante é a chamada CDN (Content Delivery Network), rede de servidores responsável por distribuir o conteúdo para milhões de pessoas simultaneamente. Embora seja essencial para garantir estabilidade, essa estrutura também contribui para alguns segundos adicionais de atraso.
Dependendo da plataforma e das condições da internet, o delay em transmissões esportivas online pode variar de poucos segundos a mais de meio minuto. É justamente essa diferença que explica por que mensagens em grupos de WhatsApp, notificações de aplicativos ou comemorações vindas da rua muitas vezes chegam antes da imagem na tela.
Por essa razão, as emissoras de TV aberta têm destacado em campanhas recentes que a recepção por antena digital continua sendo a alternativa com menor latência para acompanhar os jogos da Copa do Mundo FIFA 2026, que começa nesta quinta-feira (11).
Vale destacar que, no Mundial deste ano, apenas a CazéTV (canal online que leva a marca do streamer Casimiro Miguel) terá 100% dos direitos de transmissão. Ou seja, quem quiser ver todos os jogos da Copa terá que acompanhar pela internet. Já a Globo e o SBT (em parceria com a N Sports) terão direito a um número menor: a emissora carioca poderá exibir metade da competição, enquanto o canal da Família Abravanel terá apenas 32 jogos (incluindo todos os da Seleção Brasileira).

