Evento no Quartel de Itu promove encontro de ex-militares
A chamada “caserna” fez os participantes relembrarem momentos dentro do regimento

Nem a chuva atrapalhou a manhã de domingo no quartel. Apesar de todas as formalidades da Instituição, o local foi tomado pelo clima de alegria e descontração, devido à grande reunião das baterias mais antigas.
Logo na entrada do prédio, havia um movimentado grupo, em que quase todos vestiam a mesma camiseta. Os 11 ex-militares fizeram parte da bateria de 1985, e guardam com muita saudade todos os momentos, brincadeiras e desafios compartilhados. Vendrametto relembra um dos momentos mais marcantes no período em que serviu ao exército. “Logo que entramos, mais ou menos em maio de 85, passamos por uma prova não só de resistência chamada ‘O Ralo do Pira’. Ficamos uma semana em um local no Bairro do Pirapitingui (daí que surge o nome da atividade), enfrentando tudo quanto é desafio, pois estávamos em instrução de guerra dia e noite. Dormimos em barracas, treinamos dentro do rio, treinamos tiro, tivemos orientação de bússola e tudo mais; como se fosse uma guerra mesmo. Os soldados que passam por esse treinamento são considerados aptos a serem soldados. Depois, é feita a formatura e todos recebem a boina preta”, conta o ex-militar.
Ele também reconhece que nem todos os momentos são de calmaria, mas todos são importantes. “É muito sofrimento, mas é muito gratificante saber que você conseguiu passar por aquela experiência, por aquela prova. Por causa disso, somos soldados até hoje.” Conclui Vendrametto, que atualmente é advogado.
“Esse período da história da vida da gente foi muito marcante e relembrar isso é bom demais”, Comenta Vanderlei, também da bateria de 1985.
Dentre todas as saudades que esses homens sentem ao lembrar do período no Regimento, a maior delas é dos amigos feitos. “É gostoso relembrar e dá saudade de tudo aqui, principalmente das amizades”, comenta Cardoso, que dedicou quatro anos de vida às Forças Armadas, chegou a ser segundo sargento e hoje é funcionário público.
Ao início solene da cerimônia, cada bateria foi organizada por ano, no pátio do Regimento Deodoro. Os ex-militares marcharam em ordem, fizeram o juramento e todo o rito que a cerimônia exigia. Por alguns momentos, deixaram de ser “ex-militares”.
Saccenti, da bateria de 85 e hoje sargento da polícia, conclui com muita convicção: “O que a gente vê aqui não são nem amigos. São muito mais que isso: são irmãos”.
