Honestino: importante registro de um período sombrio

Documentário, 2025 | Direção: Aurélio Michiles | Classificação indicativa: 12 anos | Duração: 1h25 | Estreia nesta quinta-feira
NOTA: ✪✪✪✪
Aos 26 anos, Honestino Guimarães já havia sido preso quatro vezes. Na última delas, em 1973, desapareceu para nunca mais voltar. Presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes), aluno da UnB (Universidade de Brasília) e um dos nomes mais ativos do movimento estudantil durante a ditadura militar, ele teve a juventude interrompida pela repressão da ditadura militar.
Sua história, porém, sobreviveu ─ e agora ganha as telas em um documentário que busca não apenas reconstruir sua trajetória, mas devolver humanidade ao personagem histórico. Em “Honestino”, que estreia nesta quinta-feira (13), o diretor Aurélio Michiles conta a história do jovem perseguido e morto durante a ditadura militar. A partir de cartas, poemas, imagens de arquivo e depoimentos, o filme reconstrói boa parte da vida do rapaz.
O filme, premiado com o Troféu Redentor de Melhor Montagem no Festival do Rio, reúne depoimentos de familiares, amigos, políticos e companheiros de militância, como Almino Afonso, Jorge Bodanzky, Franklin Martins e Betty Almeida, biógrafa do líder estudantil. Em uma fusão de documentário e ficção, a produção também traz trechos encenados por Bruno Gagliasso, que interpreta Honestino.
A escolha de diferentes linguagens permite que o documentário vá além da simples reconstituição histórica. A obra revisita documentos e reúne diferentes vozes para revelar não apenas a importância política de Honestino, mas também aspectos de sua personalidade, seus afetos, sonhos e convicções. O resultado é o retrato sensível de um jovem cuja atuação marcou o movimento estudantil brasileiro e continua inspirando novas gerações.
Os depoimentos são vivos e ajudam a transmitir a imagem de um jovem que lutava pela liberdade, pela educação de qualidade e pelo fim de um regime de repressão. As cenas com Gagliasso reforçam esse retrato de Honestino como um idealista que sonhava com um país livre da perseguição política.
Utilizando um acervo riquíssimo de filmagens, fotografias e documentos, “Honestino” é eficaz ao transmitir ao espectador o espírito dos anos 1960 e 1970, além de mostrar as perseguições arbitrárias sofridas por estudantes organizados politicamente. Michiles dosa bem as cenas ficcionais, os depoimentos e os registros históricos, resultando em um filme de ritmo intenso.
Mais do que uma cinebiografia, “Honestino” funciona como um importante registro de um período sombrio da história brasileira. Ao reconstruir a trajetória de um jovem que desapareceu por defender suas convicções, o filme transforma a memória em instrumento de reflexão. E talvez esteja aí sua maior força: lembrar que, por trás dos grandes acontecimentos históricos, existem pessoas, sonhos e vidas interrompidas.

