Laurentino Gomes defende que Portugal deva pedir “desculpas pela escravidão”

Laurentino Gomes, autor de “Escravidão” (Foto: Vilma Slomp/Divulgação)

O jornalista e escritor Laurentino Gomes, que mora em Itu e recentemente lançou o segundo livro de sua trilogia “Escravidão” pela Globo Livros, afirmou à revista portuguesa “Visão” que Portugal deveria reconhecer o seu papel na escravatura no Brasil e pedir perdão às vítimas “dessa imensa tragédia humanitária”, segundo ele.

“Um pedido de perdão em relação à escravatura seria muito bom seria muito benéfico para Portugal porque seria libertador, seria um passo importante de reconciliação” com a sua própria história”, disse ele à publicação. “Eu sei que o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, que eu respeito muito, não considera essa hipótese”, acrescentou.

O autor recordou ainda que “o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi ao Senegal e pediu formalmente desculpas pela escravidão em nome da elite brasileira, na ilha de Gore”, um dos portos de escravos mais simbólicos de África e que já teve cerimônias semelhantes de outros políticos. As afirmações, que repercutiram na mídia portuguesa, geraram ataques nas redes sociais.

“Este pseudo-historiador deve ter sido forçado, na infância dele, a lavar seu prato, ou a limpar seu quarto, ou fazer sua cama e isto deixou-lhe marcas! Coitadinho, peça para seus pais pedirem desculpas por terem tentado educar-te. Sem sucesso”, afirmou um internauta português.

Laurentino justificou sua posição em seu perfil no Twitter. “Em princípio, o perdão não deveria assustar tanta gente. Perdão nunca foi sinônimo de humilhação. Perdão não faz mal a ninguém. É somente o primeiro passo para a reconciliação. Perdão só é um incômodo a quem se recusa a pedi-lo ou a aceitá-lo”, declarou o escritor best-seller.

Segundo ele, um pedido de perdão em nada diminuiria a grandeza de Portugal. “Ao contrário, só o faria um país ainda mais admirado neste inicio de século XXI. A dificuldade em sequer admitir a hipótese indica que a escravatura é uma ferida ainda aberta. Que só se cura com… um pedido de perdão!”, prosseguiu o autor.

Laurentino usou como foto ilustrativa a estátua do Infante Dom Henrique, o Navegador, no Mercado de Escravo de Lagos, Algarve, local do primeiro leilão de africanos em Portugal, em 8 de agosto de 1444, meio século antes da chegada dos portugueses ao Brasil, que seria o maior território escravista das Américas.