Mais de 560 internações por AVC são registradas por dia no SUS

Mais de 560 internações por acidente vascular cerebral (AVC) são registradas, em média, todos os dias no Sistema Único de Saúde (SUS). O cálculo considera os 205.540 registros de internação contabilizados em 2025, segundo dados do Ministério da Saúde. Já até julho de 2026, foram registrados 118.407 atendimentos por AVC na rede pública. Os números chamam atenção não apenas pela dimensão do problema, mas também por um aspecto que ainda surpreende muitas pessoas, o AVC não é uma doença exclusiva da população idosa e também pode atingir adultos jovens.
Entre 2020 e 2025, o número de internações por AVC no SUS passou de 153.690 para 205.540, um crescimento de aproximadamente 34%. Na população de 14 a 50 anos, os registros também aumentaram: foram 20.166 internações em 2020, contra 26.506 em 2025, uma alta de cerca de 31%.
Para o Dr. David Clemente, intensivista do Hospital Municipal de Itu, a presença de pessoas mais jovens entre os casos reforça a importância de não associar o AVC apenas ao envelhecimento. “É muito comum pensar que o AVC é uma doença que só acontece com pessoas mais velhas, mas essa não é a realidade. Na UTI, podemos receber pacientes jovens que chegam em estado grave e que, muitas vezes, não imaginavam que poderiam passar por uma situação como essa. Por isso, é importante olhar para os fatores de risco muito antes de surgir uma emergência”, explica.
O que está levando pessoas mais jovens ao risco?
A idade é apenas um dos fatores relacionados ao AVC. Segundo o Ministério da Saúde, hipertensão, diabetes tipo 2, colesterol elevado, sobrepeso e obesidade, tabagismo, consumo excessivo de álcool, sedentarismo e uso de drogas ilícitas estão entre os fatores que podem aumentar o risco da doença.
Entre eles, a hipertensão merece atenção especial. A pressão arterial elevada está entre os principais fatores de risco para AVC e pode permanecer sem sintomas durante anos. “A hipertensão é um exemplo de problema que pode passar despercebido. A pessoa pode se sentir bem, trabalhar, praticar suas atividades normalmente e ainda assim estar com a pressão descontrolada. Quando não existe acompanhamento, esse fator de risco vai se acumulando ao longo dos anos”, alerta o intensivista.
A obesidade também merece atenção. O excesso de peso está associado a maior risco de hipertensão, diabetes e outras alterações metabólicas que aumentam a probabilidade de doenças cardiovasculares. Em conjunto com o sedentarismo e hábitos alimentares inadequados, esses fatores podem contribuir para o aparecimento cada vez mais precoce de problemas cardiovasculares.
“Quando falamos de AVC em pessoas jovens, não podemos olhar para um único fator. É uma combinação de situações. Obesidade, pressão alta, diabetes, colesterol elevado, sedentarismo, tabagismo e consumo excessivo de álcool, por exemplo, podem aumentar o risco. Por isso, prevenção não é algo para começar depois dos 50 ou 60 anos. Ela precisa fazer parte da rotina desde cedo”, afirma Dr. David.
O Ministério da Saúde também destaca que, entre pessoas jovens, o AVC pode ter causas diferentes daquelas mais frequentes em pacientes idosos. Alguns casos de AVC isquêmico podem estar relacionados a distúrbios de coagulação, doenças cardíacas e outras condições que precisam ser investigadas individualmente.
Quando o AVC chega à UTI
Nem todo paciente com AVC precisa de internação em Unidade de Terapia Intensiva, mas os quadros mais graves podem exigir monitoramento contínuo e suporte especializado. Alterações do nível de consciência, comprometimento da respiração, dificuldade para proteger as vias aéreas, alterações importantes da pressão arterial e outras complicações podem demandar cuidados intensivos.
O AVC ocorre quando um vaso que leva sangue ao cérebro é obstruído ou se rompe. No AVC isquêmico, a interrupção do fluxo sanguíneo impede que oxigênio e nutrientes cheguem adequadamente às células cerebrais. Já no AVC hemorrágico ocorre o rompimento de um vaso e o sangramento dentro ou ao redor do cérebro. Segundo o Ministério da Saúde, aproximadamente 85% dos AVCs são isquêmicos e 15% hemorrágicos.
“Quando o fluxo de sangue para uma determinada região do cérebro é interrompido, as células daquela área começam a sofrer. É por isso que falamos tanto em rapidez. Quanto mais tempo passa sem que o paciente receba o tratamento adequado, maior pode ser a extensão da lesão e, consequentemente, o risco de sequelas”, explica o médico.
Entre os principais sinais de alerta estão fraqueza ou formigamento em um lado do corpo, alteração ou dificuldade para falar, assimetria no rosto, alteração da visão, tontura, perda de equilíbrio e dor de cabeça intensa e repentina. Os sintomas costumam surgir de maneira súbita.
“Uma alteração que aparece de repente nunca deve ser ignorada. Se a pessoa estava falando normalmente e, de uma hora para outra, começa a falar enrolado; se um lado do rosto fica torto ou se ela perde a força em um braço ou em uma perna, é preciso pensar na possibilidade de um AVC e procurar atendimento imediatamente. Não é indicado esperar para ver se vai passar”, orienta o Dr.
Sobre o Grupo Chavantes
O Grupo Chavantes, Organização Social de Saúde (OSS), gerencia mais de 30 projetos em seis estados brasileiros e ocupa a posição de oitava maior entidade do setor no país, com gestão anual de aproximadamente R$ 720 milhões.

