Menino de 8 anos morre em Itu e causa revolta de familiares

Pai se revoltou com a morte do filho, danificou fachada do hospital e acabou preso, mas foi liberado da Delegacia após pagamento de fiança (Foto: Divulgação)

Um menino de 8 anos, identificado como Luiz Miguel da Silva de Lima, morreu na tarde de quinta-feira (06), em Itu, após passar por atendimentos médicos entre quarta-feira (05) e quinta. A morte provocou revolta entre familiares, que questionam a condução dos atendimentos realizados na rede municipal de saúde e no Hospital da Criança. O caso deverá ser esclarecido pelas autoridades, inclusive quanto à causa oficial da morte e às circunstâncias que antecederam o óbito.

Segundo familiares, Luiz Miguel foi levado inicialmente ao Pronto Atendimento Municipal (PAM) da Vila Martins, após apresentar dores. A família relata que, naquele primeiro atendimento, teria sido levantada a possibilidade de se tratar de uma dor de crescimento, e o menino recebeu medicação e foi liberado.

Na quinta-feira, diante da continuidade e agravamento dos sintomas, o pai, Patrick Anderson de Lima Abreu, retornou com o filho ao PAM. De acordo com o relato da família, Luiz Miguel apresentava quadro mais grave, com baixa saturação, e foi encaminhado ao Hospital da Criança de Itu.

A família afirma que houve demora no atendimento e na realização de exames, relatando que o menino estava ficando roxo, alertando uma profissional de enfermagem. Segundo a versão apresentada pela família, a profissional teria afirmado que a situação era normal. Pouco tempo depois, o quadro se agravou e Luiz Miguel morreu.

Ainda conforme os familiares, posteriormente teria sido disponibilizado resultado de exame indicando a presença de sangue no pulmão. A causa oficial da morte, entretanto, ainda depende de esclarecimento técnico.

Pai é detido

Após receber a notícia da morte do filho, Patrick ficou extremamente abalado e danificou os vidros da porta de entrada do Hospital da Criança, que fica anexo à Santa Casa de Misericórdia de Itu. Segundo o boletim de ocorrência registrado pela Polícia Civil, agentes da Guarda Civil Municipal foram acionados após a ocorrência de um indivíduo em surto no hospital.

O documento aponta que Patrick apresentava comportamento agressivo e que os vidros da porta de acesso à unidade estavam quebrados. O próprio pai, em depoimento, admitiu ter danificado a porta, afirmando que agiu tomado pelo desespero e pela revolta diante da notícia da morte do filho.

A Polícia Civil enquadrou a ocorrência, em tese, como dano qualificado contra o patrimônio de entidade da administração pública. Após a prisão em flagrante, foi arbitrada fiança de R$ 1.600. O valor foi apresentado e Patrick recebeu liberdade provisória.

Desabafo

Em depoimento ao Periscópio, Patrick afirmou estar revoltado com o que considera uma sequência de falhas no atendimento ao filho. “Eu quero justiça e acredito que nem a justiça vai trazer meu filho de volta, mas que a morte dele mude a forma que lidamos com o sistema de saúde em Itu, no Brasil.”

O pai também criticou a estrutura disponível na região do Pirapitingui e defendeu mudanças no atendimento público de saúde, como a instalação de câmeras desde a triagem até o atendimento final, além de melhorias na disponibilidade de ambulâncias e na fiscalização dos profissionais.

Patrick também afirma possuir documentos que, segundo ele, demonstrariam divergências entre a forma como o Hospital da Criança registrou a chegada do menino e a maneira como ele teria efetivamente chegado à unidade. “A gente tem prova, a gente tem documento onde a administração do hospital onde meu filho faleceu mentiu da forma que ele chegou.”

Nota oficial

Em nota, a Prefeitura de Itu, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, informou que os atendimentos realizados nos dias 04 e 05 de agosto seguiram as condutas consideradas compatíveis com os sinais e sintomas apresentados pela criança.

Segundo a administração municipal, foram solicitados exames complementares para investigação diagnóstica, mas, antes da conclusão da avaliação e da liberação dos resultados, o responsável pela criança teria optado por deixar a unidade, interrompendo o atendimento, mesmo após ser informado pela equipe médica sobre os riscos. A Prefeitura afirma ainda que, naquele momento, o menino permanecia em observação e em jejum, procedimento que permitiria a continuidade da investigação e eventual realização de procedimentos.

Na quinta-feira, de acordo com a nota, Luiz Miguel retornou ao PAM da Vila Martins apresentando dor abdominal intensa e abdômen distendido. Após avaliação médica, diante da gravidade do quadro, foi transferido para o Hospital Infantil da Santa Casa de Itu.

A administração municipal afirma que, no hospital, a assistência médica e multiprofissional teve continuidade imediata. Foram realizados exames laboratoriais, tomografia computadorizada, hidratação venosa, antibioticoterapia e outras medidas de suporte clínico.

Com a rápida evolução do quadro, o menino foi encaminhado à UTI Infantil. Apesar das medidas adotadas pelas equipes, sofreu uma parada cardiorrespiratória e morreu. O corpo de Luiz Miguel foi encaminhado ao Serviço de Verificação de Óbito (SVO), responsável por realizar os procedimentos necessários para esclarecer o diagnóstico e determinar oficialmente a causa da morte.

Na nota, a Secretaria Municipal de Saúde afirmou que, até o momento, não existem elementos técnicos que indiquem falha na assistência prestada pelos serviços municipais.

A Prefeitura lamentou profundamente a morte da criança e informou que permanece à disposição das autoridades para prestar os esclarecimentos necessários.

O caso deverá ser acompanhado pelas autoridades competentes, especialmente diante das versões divergentes apresentadas pela família e pelo poder público sobre os atendimentos realizados antes da morte.

O JP também esteve em contato com a IGAPS (Instituto de Gestão, Administração e Pesquisa em Saúde), gestora do Hospital da Criança e da Santa Casa de Itu, porém não obteve retorno até o fechamento desta matéria. 

2 comentários em “Menino de 8 anos morre em Itu e causa revolta de familiares

  • 09/08/2026 em 17:56
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    Precisa parar de gastar dinheiro com show e dar continuidade a obra da UPA da Cidade Nova. Fazer um hospital com recursos decentes. Sem a UPA a vida política do prefeito vai pra ficar doente e sem atendimento médico. Morte política. Sem UPA, sem voto. Este é o poder do povo.

  • 11/08/2026 em 03:30
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    Infelizmente, não importa o que façamos agora: nada vai trazer de volta a vida de um menino de apenas 8 anos que pediu ajuda aos profissionais e, segundo os relatos, sequer teria sido examinado adequadamente para entender o que estava acontecendo.

    Sou pai de dois filhos e, como pai, isso é muito indignante e doloroso. Se não podemos correr para um posto de saúde em busca de socorro quando nossos filhos precisam, para onde vamos correr? Quem devemos procurar para salvar alguém que amamos?

    Meus sentimentos à família. Não existem palavras capazes de consolar um coração que perdeu um filho dessa maneira. Sinto profundamente por essa dor.

    E, sinceramente, dói dizer isso, mas temo que nada aconteça. Muitas vezes, o sistema parece não se importar verdadeiramente com as pessoas. Parece que somos apenas números, estatísticas e, em alguns casos, fontes de dinheiro.

    Precisamos questionar que tipo de atendimento estamos oferecendo à nossa população e exigir profissionais preparados, comprometidos e, acima de tudo, humanos. Não podemos generalizar e julgar todos os médicos ou profissionais da saúde, porque existem muitos que exercem sua profissão com amor e responsabilidade. Mas casos como esse precisam ser investigados com seriedade, para que outras famílias não passem pela mesma dor.

    Que Deus conforte essa família e que, acima de tudo, essa tragédia sirva para que algo mude. Nossos filhos merecem um sistema de saúde que os trate com cuidado, respeito e dignidade.

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