Moacir Cova fala sobre cassação, candidatura e futuro político

Cassado pela Câmara de Itu, Moacir Cova (Podemos) afirma que pretende manter sua atuação política e seguir com a candidatura a deputado federal. Em entrevista concedida na tarde de quarta-feira (26), o ex-vereador falou sobre o processo que resultou na perda de seu mandato, os próximos passos jurídicos e seus planos para o futuro.
Para Cova, a cassação não encerra sua trajetória política. Ao contrário, ele afirma que pretende transformar o episódio em combustível para continuar atuando. Segundo ele, o resultado da cassação já estaria praticamente definido antes da votação. Para ele, o episódio envolvendo um disparo em direção a cachorros teria sido utilizado para construir uma narrativa que culminaria na abertura do processo.
“Eu acredito que eu poderia ter evitado a cassação se eu me rendesse aos mandos do Executivo, mudasse o meu jeito de agir como parlamentar e renunciasse inclusive à minha candidatura a deputado”, afirmou.
O ex-vereador sustenta que não houve qualquer proposta formal de acordo, mas avalia que uma mudança de postura poderia ter evitado a perda do mandato. Na visão dele, a cassação ocorreu em razão da postura adotada durante o mandato, principalmente nas fiscalizações e críticas à administração municipal.
Cova também voltou a criticar a condução do processo de cassação. Segundo ele, a aprovação de uma moção de repúdio por parte da maioria dos vereadores, ainda no início dos acontecimentos, teria criado um ambiente de pré-julgamento. “Diante de notícias jornalísticas, de imediato propuseram uma moção de repúdio. Ou seja, ali já houve um julgamento”, disse.
Ele também afirmou que o processo teria sido conduzido de maneira parcial e com um rito que classificou como “apressado”, além de alegar a existência de vícios que foram questionados judicialmente por sua defesa.
Durante o andamento do caso, a defesa recorreu ao Judiciário em diferentes momentos, obtendo decisões que alteraram prazos e permitiram a continuidade de medidas jurídicas. Cova, porém, afirma que, em determinado momento, optou por deixar que o julgamento político ocorresse, mesmo avaliando que o resultado já era previsível.
De acordo com ele, uma das preocupações de sua defesa era evitar que a cassação ocorresse antes do registro de sua candidatura a deputado federal. Nesse sentido, Cova considera que a estratégia jurídica foi importante para que pudesse registrar sua candidatura. “Eu consegui registrar a candidatura”, destacou.
Sobre a possibilidade de recuperar o mandato, o ex-vereador afirma que o assunto ainda está sendo analisado juridicamente. Ele também argumenta que a perda de um mandato conquistado nas urnas não deveria, em sua avaliação, ficar exclusivamente nas mãos dos próprios parlamentares.
“O mandato de um parlamentar deve ser cassado pela Justiça, com decisão transitada, ou pelo povo. Você não pode ter um mandato cassado por pares que, nitidamente, estão do lado contrário”, afirmou.
O vereador cassado afirma que mantém o apoio da direção do Podemos. Segundo ele, ainda no início do processo teve uma reunião com a presidente nacional da legenda, Renata Abreu, quando apresentou sua versão sobre os acontecimentos. “O partido tem plena ciência de que a perseguição existe”, afirmou.
Cova também atribui importância à manutenção de sua candidatura pelo partido. Segundo ele, a legenda teria conhecimento do processo e, mesmo assim, decidiu manter seu nome na disputa.
Sobre a reação da população após a cassação, o ex-vereador diz perceber manifestações favoráveis à sua permanência na política, principalmente nas redes sociais. “A população hoje entende o que é injusto. É injusto nove vereadores que não votaram em mim de forma parcial, de forma injusta, cassarem o voto de quase 3 mil eleitores”, declarou.
Para Cova, o fato de não ter renunciado ao mandato ou desistido da candidatura também contribuiu para fortalecer sua relação com parte do eleitorado. “Eu não renunciaria, não baixaria a cabeça e não me acovardaria”, afirmou.
Outro ponto abordado foi a parceria política com o vereador Eduardo Ortiz (MDB). Os dois mantiveram uma atuação conjunta durante o mandato, especialmente em fiscalizações, críticas à administração municipal e divulgação das ações nas redes sociais. Cova acredita que essa aproximação também teria contribuído para aumentar o peso político dos dois parlamentares.
“Talvez vocês nunca tenham visto na cidade uma dupla de vereadores andando junto, fazendo fiscalizações”, afirmou. Para ele, a parceria teria causado preocupação entre integrantes do grupo político que atualmente comanda a cidade. Cova também confirmou que pretende manter a aproximação com Ortiz, que é candidato a deputado estadual. “Caçaram o meu mandato, aliás, roubaram o meu mandato, mas a parceria com o Ortiz continua”, declarou.
Questionado sobre a possibilidade de uma futura composição entre os dois, inclusive para uma eventual disputa majoritária em Itu, Cova não descartou a hipótese. Embora as eleições municipais de 2028 ainda estejam distantes, Cova admite que tem vontade de disputar a Prefeitura de Itu no futuro.
“Tenho vontade, sim, de estar lá um dia para a gente mudar isso aqui e mostrar para o povo como se governa”, afirmou. O ex-vereador diz defender uma administração com maior transparência sobre os gastos públicos. Para ele, o cidadão deve ser tratado como o verdadeiro responsável pela gestão municipal. “O povo é patrão de quem está na gestão”, declarou.
Além da política, Cova também falou sobre seu futuro profissional como policial. Ele confirmou que analisa iniciar o processo de aposentadoria, especialmente diante da avaliação de que se tornou alvo político. “Chegou um ponto que eu me cansei e vi que é perceptível que eu virei alvo”, afirmou.
Cova também destacou que sua trajetória como policial foi fundamental para sua chegada à vida pública. “Eu fui eleito não porque me apoiei em igreja, em favores da população ou através de ONGs, mas sim pelo meu trabalho profissional de combate ao crime”, declarou.
Durante a sessão que terminou com a cassação, o vereador José Galvão (PL) fez uma declaração que Cova interpretou como uma acusação relacionada à sua atuação policial em uma ocorrência que envolveu a morte de um menor. Na entrevista, ele classificou a fala como “um tremendo absurdo”.
“Ele não estava lá no dia em que eu estava no enfrentamento ao crime. Eu não fui lá para me vingar de ninguém, eu não fui lá para matar ninguém”, afirmou. Cova disse que estava no local cumprindo seu papel como policial e que houve resistência durante a ocorrência.
Visão de Brasil
Ao falar sobre sua candidatura a deputado federal, Cova ampliou o discurso para questões nacionais. Ele defendeu redução do tamanho do Estado, combate à corrupção e aos privilégios e maior liberdade econômica. “Basta de tanto político atrapalhando a vida de quem produz”, disse.
Na avaliação do candidato, o poder público deveria criar condições para que empresários e trabalhadores produzam, em vez de ampliar a burocracia. “O Estado não produz nada. O Estado só atrapalha. Você precisa diminuir o Estado e dar liberdade a quem realmente produz”, afirmou.
Cova também relacionou sua experiência na segurança pública aos problemas sociais brasileiros. Para ele, áreas como educação, saúde, economia e estrutura familiar precisam funcionar de maneira mais eficiente para reduzir a pressão sobre as forças policiais.

