Museu da Energia de Itu abre nova exposição nesta quinta-feira

Dar voz às mulheres silenciadas, exaltar a inteligência feminina e destacar a participação delas no mundo científico. Essas são algumas das abordagens da nova exposição “Liberdade, Mulher e Ciências”, que acontece no Museu da Energia de Itu, em parceria com o Museu Catavento, instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, por meio do Programa Conexões Museus-SP.

Nesta quinta-feira (14), às 10h, acontecerá a cerimônia de inauguração da exposição apenas para convidados, e a partir das 12h ficará aberta ao público. A exposição ficará instalada temporariamente durante um ano, podendo ser visitada de dezembro de 2023 até dezembro de 2024. Composta por questionamentos e dinâmicas, a mostra tem classificação livre, podendo ser visitada de terça-feira a sábado das 10h às 17h.

Através de acervos, pesquisas, narrativas, fotos e dinâmicas, a curadoria compartilhada apresenta ao público reflexões sobre a presença feminina nas Ciências e os desafios e preconceitos enfrentados por ela, visando à desconstrução de padrões definidos e exclusões.

Para isso, o desenvolvimento da mostra aconteceu em quatro etapas: processo de pesquisa, curadoria compartilhada, programa educativo e projeto expográfico. De acordo com a coordenadora do Museu da Energia de Itu, Ana Sbrissa, a exposição se apresenta por meio de perguntas, dados estatísticos e interação, envolvendo os visitantes. “O público é conduzido a despertar questões frente aos temas abordados, impulsionando a conscientização e reflexão que levem ao diálogo e ao debate na sociedade”, explica.

A coordenadora de Educativo dos Museus da Energia, Fernanda Morais, enfatiza que “Liberdade, Mulher e Ciências” é resultado de uma parceria celebrada com o Museu Catavento, por meio do Programa Conexões Museus-SP, responsável pelo desenvolvimento de ações com foco na formação e partilha de conhecimentos técnicos, principalmente no âmbito da Museologia, entre os museus da SCEIC-SP e as instituições museológicas do Estado de São Paulo.

O coordenador de Museologia do Catavento Cultural e Educacional, Cauê Donato, ressalta que criar processos dialógicos não é simples, mas é muito enriquecedor, uma vez que as trocas sinceras geram produtos muito mais densos e simbólicos.

“A curadoria compartilhada entre o Museu Catavento e o Museu da Energia de Itu é o produto da trajetória de aproximação e cooperação entre as instituições. O Museu Catavento, como um dos museus da SEC, através do Programa Conexões Museus-SP, desenvolveu nos últimos anos algumas programações junto a museus do interior paulista. Já o Museu da Energia de Itu é uma das instituições mais emblemáticas da cidade e região, com fruição entre diferentes tipologias de acervo e narrativas, que contribuem para formação de gerações”, explica, destacando que essa parceria se intensifica e ganha nova tônica com a curadoria compartilhada.

Percurso expositivo

Com partes dinâmicas, o percurso expositivo acontece no térreo do museu e leva os visitantes a reflexões e diálogos sobre as relações entre Ciência, sociedade e gênero, tendo as mulheres e sua atuação no campo científico como centro. Para isso, oito painéis interativos, estatísticas, perguntas e um espaço instagramável integram a mostra.

Logo no início da exposição, o público é questionado com a pergunta: Quem tem cara de cientista? A partir dessa indagação, por meio de materiais interativos, os visitantes podem conhecer mulheres que ocupam laboratórios, empresas e museus. Da mesma forma, as histórias e trajetórias dessas profissionais se tornam inspiração para mais mulheres e meninas.

Essa parte da exposição toca também nas questões de estereótipos e apresenta nomes e imagens de mulheres importantes tanto no campo científico quanto social e político, como Enedina Alves Marques, primeira engenheira negra do Brasil; Patricia Bath, oftalmologista e inventora da sonda Laserphaco, usada para tratar catarata; e Antonieta de Barros, jornalista, professora, política e uma das primeiras mulheres eleitas no Brasil e a primeira negra brasileira a assumir um mandato popular.

Na sequência, um painel interativo com TV apresenta o panorama do voto – sufrágio. Para isso, uma linha do tempo mostra as diferentes fases da história, começando no ano de 1758, quando a intelectual francesa feminista, Olympe de Gouges, escreveu a Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã e terminando em 2022, com Erika Hilton, primeira mulher transgênero eleita como deputada federal no Brasil.

Outra parte do percurso traz o papel ativo das mulheres no desenvolvimento de invenções, ao mesmo tempo em que provoca reflexões sobre a demora quanto ao reconhecimento delas como inventoras. A partir disso, o visitante é conduzido a um painel interativo com exemplos de invenções, como a seringa, que teve como inventora Letitia Mumford Geer, e o telescópio submarino, por Sarah Mather.

Já a questão da diversidade relacionada ao acesso da mulher à educação, ao mercado de trabalho e a outras áreas também ganha destaque com a apresentação de indicadores sociais. E, fechando a mostra, um painel interativo convida o público a observar dados estatísticos relacionados às mulheres na ciência, educação, política e mercado de trabalho.

Na parte externa do museu, o público pode, ainda, fazer fotos junto a um painel com mulheres em pé e sentadas, possibilitando registros em uma área instagramável.

O Museu da Energia de Itu fica localizado na Rua Paula Souza, 669, Centro. Contatos: e-mail itu@museudaenergia.org.br, telefones (11) 4022-6832 e (11) 94805-4429 (WhatsApp).