O Dia Internacional da Mulher por elas

Na última terça-feira (08) foi comemorado o Dia Internacional da Mulher, data de celebrar conquistas alcançadas pelo gênero feminino ao longo das décadas, mas também de reflexão quanto ao que a sociedade ainda necessita caminhar rumo à igualdade de homens e mulheres no mercado de trabalho, por exemplo.

Nesta semana, o Periscópio ouviu seis mulheres de diferentes segmentos para saber, na opinião delas, o que ainda falta para a mulher conquistar. Confira os depoimentos!

Susley Rodrigues – advogada

“Para mim, enquanto mulher preta, o Dia da Mulher é muito complexo, porque o Dia da Mulher que mais representa meu grupo étnico é dia 25 de julho, que é o Dia da Mulher Negra, Latina e Caribenha. Além de vivermos em uma sociedade absurdamente machista, patriarcal, tem o fato de que quando a gente consegue um espaço e insere a mulher, raramente essa mulher é preta. A gente tem o exemplo da OAB-Itu. Aconteceu algo muito sério em nosso podcast [em que Susley, seu marido e sua tia sofreram ataques racistas] e a OAB não se manifestou. Quando aconteceu aquele episódio do deputado [Arthur do Val] falar das mulheres ucranianas, a OAB emitiu nos Direitos Humanos uma nota de repúdio. E aí eu questionei, mas porque não fizeram a mesma coisa quando aconteceu comigo? A gente não entra nos Direitos Humanos? É muito triste falar que o feminismo em si é muito importante, mas não abrange ainda a mulher preta. Mas vejo o dia 8 de março como um dia de reflexão realmente, do quanto nós já avançamos como mulheres ainda que as mulheres do meu grupo étnico estavam ainda atrasadas nesse sentido. É dia do homem refletir também o quanto eles atrasaram o nosso avanço  e o quanto eles podem contribuir para o nosso crescimento”. 

Célia Rocha – vereadora

“A mulher tem que continuar a luta para garantir o seu espaço: espaço de Liberdade de  expressão; espaço de Decisão; espaço de trabalho; espaço de escolha; espaço de liberdade; espaço de liderança; espaço de ser; espaço de conhecer;  espaço de viver; espaço de realizar e mudar a realidade! Enfim, uma conquista diária e contínua que exige resiliência, coragem e determinação!”

Camila Arruda Pletsch – Veterinária

“Precisamos ainda ser mais valorizadas no âmbito profissional. A presença da mulher no mercado de trabalho está cada dia mais forte e a tendência é só aumentar, mas em alguns setores ainda falta a presença feminina. É preciso que nós, mulheres, acreditemos mais no nosso potencial e, se tivermos dedicação, competência e qualificação profissional podemos ocupar qualquer cargo, inclusive de liderança e provar que lugar de mulher é onde ela quiser”.

Amabili Corina Canole Nacle – Terapeuta Ocupacional

“Acredito que no dia de hoje a mulher não tem mais nada que falte para ela conquistar. Vejo que todos os dias a mulher luta pela sua posição de mãe, de profissional, de parceira, desenvolvendo vários papéis, o que faz a mulher mostrar toda sua capacidade de gerir e organizar a sua própria vida e as demais com muita sensibilidade e cuidado. A mulher não é o sexo frágil e sim o mais forte por estar até hoje mostrando que tudo ela pode, é só apenas querer e agir!”

Bruna Marcela Prates Raymundo – Atleta

“Não, a mulher brasileira ainda não conquistou tudo, ainda há muita desigualdade e muito desrespeito, porém acho que estamos no caminho certo para essa desigualdade acabar. Nós, mulheres, lutamos a cada dia por essa igualdade. Eu, como mulher e atleta de futebol, sinto essa desigualdade e esse desrespeito na pele todos os dias. Tenho de ouvir típicas frases como ‘futebol não é pra menina’, ‘vá brincar de boneca ou lavar louça’, ‘futebol é pra menino’. Não posso deixar de ressaltar que mudanças estão acontecendo, como mulheres no estádio, torcida enchendo estádios pra ver jogos femininos… ainda falta muito, mas só de ver algumas coisas mudando já é um grande passo pra igualdade entre homens e mulheres, seja em qualquer cenário. Lugar de mulher é onde ela quiser estar”.

Natalina Pereira – Artesã

“O primeiro item é o respeito. Ainda nos dias de hoje muitas mulheres são violentadas dentro da própria casa e isso tem de mudar. Muitas têm cargo de chefia, mas seu salário é inferior aos salários dos homens. Então temos que ter direitos iguais em tudo”.