O Fim da Rua: aventura simples, mas honesta e competente

NOTA: ✪✪✪

De vez em quando é bom ver um filme estilo “Sessão da Tarde” nos cinemas, aqueles sem muitas firulas de universo compartilhado, nem pretensão de ser um grande blockbuster. E é essa a proposta de “O Fim da Rua”: uma aventura simples, mas honesta e competente. A história se passa em 1982, acompanhando a família Platt, formada por Denise (Anne Hathaway), Greg (Ewan McGregor) e os filhos adolescentes Audrey (Maisy Stella) e Brian (Christian Convery).

O casal atravessa uma crise conjugal e a família vive problemas relativamente banais de uma típica família suburbana americana. Tudo muda quando um evento cósmico inexplicável transporta a Rua Oak inteira para um ambiente pré-histórico, deixando casas, carros e moradores cercados por dinossauros.

Sem saber exatamente onde estão ou como voltar para casa, os Platt precisam deixar suas diferenças de lado e trabalhar juntos para sobreviver. A premissa transforma o tradicional subúrbio americano – símbolo de segurança, rotina e estabilidade – em um território selvagem e ameaçador.

“O Fim da Rua” evoca de propósito o cinema de aventura produzido por Hollywood nos anos 1980, especialmente a tradição associada a Steven Spielberg – daí o estilo “Sessão da Tarde” tão latente, misturando ficção científica, terror e drama familiar. O diretor David Robert Mitchell, cuja carreira foi marcada por filmes independentes de horror, coloca essa fórmula dentro de seu próprio universo cinematográfico.

A atuação de Anne Hathaway é a cereja do bolo do filme. Ela, que esse ano já nos brindou com ótimas participações em “O Diabo Veste Prada 2” e “A Odisseia”, mostra toda sua versatilidade ao entregar uma personagem astuta e interessante. Já Ewan McGregor vive um tipo padrão, sem grandes nuances, mas que funciona bem ao lado da presença magnética de Hathaway.

De negativo, “O Fim da Rua” parece ter mais elementos a apresentar ao espectador, mas falta tempo para isso. Talvez fossem necessários mais uns trinta minutos para desenvolver conceitos interessantes relacionados à viagem no tempo, além de explorar melhor o impacto da transposição de um bairro inteiro para a era jurássica.

Apesar disso, o filme tem um ritmo dinâmico, um roteiro bem escrito e boas relações entre os personagens, o que faz a audiência se importar com cada decisão tomada. “O Fim da Rua” tem coração e sabe entregar boas doses de diversão.

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