Pressão: melhor como ideia do que como obra acabada

Pressure, Drama/Guerra, 2026 | Direção: Anthony Maras | Classificação indicativa: 14 anos | Duração: 1h40 | Em cartaz nos cinemas
NOTA: ✪✪✪
“Pressão” é um drama histórico de guerra que chegou aos cinemas na última semana sem muito alarde, mas conta com um elenco bom e tem uma premissa interessante. Tendo em Andrew Scott seu ator principal, o filme se passa nas 72 horas que antecedem o Dia D, em junho de 1944. A diferença é que, em vez de acompanhar soldados no campo de batalha, a história se concentra nos homens responsáveis por uma decisão que poderia determinar o sucesso ou o fracasso da invasão da Normandia.
O protagonista é James Stagg, meteorologista escocês interpretado por Scott. Ele precisa convencer o general Dwight D. Eisenhower, vivido por Brendan Fraser, de que as condições climáticas não eram adequadas para o desembarque inicialmente planejado. A decisão era simples: adiar a invasão e correr o risco de perder o elemento surpresa ou seguir adiante e colocar milhares de soldados em perigo.
O roteiro é baseado na peça teatral homônima, escrita por David Haig em 2014, e transforma uma discussão essencialmente meteorológica em um thriller de guerra – algo que é comum em Hollywood: tornar um pedaço “menos importante” da história da Segunda Guerra Mundial em algo determinante.
Talvez o problema de “Pressão” esteja justamente em ser mais um filme com essa temática, o que soa cansativo e burocrático. Por tratarem do mesmo tema, essas produções tendem a ser repetitivas. É a mesma ambientação, a mesma fotografia, os mesmos figurinos, as mesmas figuras masculinas alçadas à posição de heróis. E a obra dirigida pelo australiano Anthony Maras não foge ao script.
O ponto alto está na interpretação de Andrew Scott, que dá vida a um personagem discreto, que passa por um momento delicado da vida e precisa confrontar os demais colegas de profissão em uma decisão vital para os rumos da guerra. É uma atuação digna de reconhecimento. Brendan Fraser, apesar do tom mais caricato, encarna bem o general Eisenhower, que viria a ser presidente dos Estados Unidos.
Mas, no geral, “Pressão” é melhor como ideia do que como obra acabada. Fica a sensação de que o filme não tem muito a dizer e acaba andando em círculos, além de não aprofundar relações entre os personagens – alguns, aliás, estão ali para fazer volume, pois possuem pouca ou nenhuma relevância para a trama. Além disso, o filme serve mais uma vez para a propaganda de guerra estadunidense e para criar “novos” heróis militares, intensificando a narrativa bélica do país.

