Rio Tietê aparece de formas distintas nos planos de governo de Tarcísio e Haddad

Um trecho do Rio Tietê ficou com a água escura recentemente em Salto, após o acúmulo de lama, lodo e esgoto (Foto: Divulgação/Prefeitura de Salto)

A recuperação do Rio Tietê, que teve seu dia celebrado na última terça-feira (22), aparece de maneiras diferentes nos planos de governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) para 2026. A comparação com as propostas apresentadas pelos dois candidatos ao Governo do Estado na eleição de 2022 também mostra mudanças na forma como o tema é abordado. O JP pesquisou o tema nos planos divulgados pelos candidatos e disponíveis no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

No plano de Tarcísio, candidato à reeleição, o Tietê ocupa espaço específico dentro do capítulo de sustentabilidade, por meio do Programa IntegraTietê. A proposta prevê ações de revitalização do rio e seus afluentes, abrangendo saneamento, controle de cheias, turismo, lazer, logística e governança. O documento também inclui a iniciativa entre os principais programas da área de sustentabilidade.

Entre as medidas apresentadas estão a universalização do saneamento, a redução da carga orgânica de esgoto, o desassoreamento e a retirada de resíduos do rio, além de ações de restauração ecológica e recuperação das margens. O plano estabelece ainda metas de ampliação da capacidade de tratamento de esgoto e implantação de redes e coletores na Região Metropolitana de São Paulo.

Em relação a 2022, a proposta de Tarcísio ganhou maior detalhamento. Naquele ano, seu plano previa a adoção de políticas de despoluição dos rios, incluindo Tietê e Pinheiros, além do monitoramento da qualidade e da quantidade de água das bacias e mananciais. A despoluição aparecia, portanto, como uma diretriz dentro de uma política mais ampla de segurança hídrica.

O plano de Fernando Haddad para 2026 aborda a questão dentro do capítulo “São Paulo por inteiro”, sob o título “Água e saneamento para todos”. A proposta prevê que o Estado exerça seu papel na universalização do saneamento, fiscalizando a qualidade e a expansão dos serviços contratados, além de proteger os mananciais e garantir segurança hídrica para as próximas décadas.

O documento, entretanto, não cita nominalmente o Rio Tietê nem apresenta uma meta específica de despoluição do rio, cronograma próprio ou valor de investimento destinado exclusivamente à sua recuperação.

A diferença é relevante quando comparada à proposta apresentada por Haddad em 2022. Conforme mostrou o Periscópio à época, o então candidato propunha a continuidade dos projetos de despoluição dos rios Pinheiros e Tietê e a elaboração de um plano específico para a despoluição do Tietê e das represas Billings e Guarapiranga.

Assim, enquanto o plano de 2026 de Tarcísio apresenta uma iniciativa específica para o Tietê, com diferentes frentes de atuação, o programa de Haddad concentra suas propostas em uma política estadual mais ampla de saneamento, proteção dos mananciais e segurança hídrica.

Saneamento

Apesar das diferenças de abordagem, o saneamento aparece como elemento central nos dois programas. Para Tarcísio, a ampliação da coleta e do tratamento de esgoto está diretamente relacionada ao IntegraTietê. Para Haddad, a universalização do saneamento é apresentada como uma política estadual, com fiscalização dos serviços e atenção às áreas mais vulneráveis.

A comparação entre os documentos de 2022 e 2026 mostra, portanto, que as propostas dos dois candidatos passaram por alterações. Tarcísio, que em 2022 mencionava a despoluição do Tietê entre políticas ambientais mais abrangentes, apresenta agora um programa específico para o rio. Haddad, que em 2022 previa a elaboração de um plano próprio de despoluição do Tietê, não faz referência nominal ao rio no documento de 2026, concentrando a proposta em saneamento, mananciais e segurança hídrica.

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