Tragédia na Venezuela sob diferentes olhares

O forte terremoto que atingiu a Venezuela no dia 24 de junho provocou uma das maiores tragédias naturais da história recente do país. Com epicentro na região costeira, o tremor atingiu principalmente os estados de La Guaira e Miranda e parte da região metropolitana de Caracas, causando o desabamento de edifícios, deslizamentos de terra e grandes danos à infraestrutura.

Até a noite da última quarta-feira (1º), as autoridades contabilizaram 2.295 mortos, mais de 11 mil feridos e um grande número de desaparecidos, enquanto dezenas de milhares de pessoas permaneciam desalojadas ou desabrigadas.

Mesmo a milhares de quilômetros de distância, o sofrimento da população venezuelana é acompanhado de perto por venezuelanos que moram em Itu. É o caso de Aury Evaristo Molina, moradora da cidade desde dezembro de 2020. Também há relatos de quem já morou por anos em Itu e atualmente reside em Caracas ao lado da família, caso da jornalista Flávia Frossard.

Apesar do alívio por saber que seus familiares escaparam da tragédia, Aury afirma que a situação continua sendo extremamente difícil para o povo venezuelano. “Graças a Deus, minha família está bem. Apenas uma prima mora muito perto da região atingida, mas ela e os familiares não sofreram ferimentos. Mesmo assim, é muito triste acompanhar tudo isso. Ainda há pessoas presas sob os escombros, famílias que perderam seus entes queridos e crianças que ficaram órfãs”, relata.

Segundo Aury, os primeiros momentos após o terremoto foram marcados pela falta de estrutura para os resgates. “Nos primeiros dias, eram os próprios vizinhos tentando retirar familiares dos escombros. Os bombeiros não tinham equipamentos suficientes para enfrentar uma tragédia dessa dimensão. Felizmente, muitos países enviaram equipes de resgate e equipamentos. Esse apoio tem sido fundamental e somos muito gratos.”

Mesmo distante, Aury conta que procura colaborar da maneira possível. “Quem está fora da Venezuela tenta ajudar arrecadando donativos e divulgando campanhas. É pouco diante de tanto sofrimento, mas é a forma que encontramos de apoiar nosso povo”, acrescenta a venezuelana.

Vivendo atualmente em Caracas, Flávia Frossard acompanha de perto a mobilização nacional em torno das vítimas. “Aprendi a admirar o povo venezuelano, sua cultura e sua força. Por isso, é muito triste acompanhar tudo o que aconteceu após o terremoto”, afirma.

Ela, que é esposa de Ricardo Belli, técnico da Seleção Venezuelana de Futebol Feminino, explica que uma das regiões mais afetadas foi o estado de La Guaira, onde amigos próximos perderam familiares e suas casas.

“Há uma grande mobilização de ajuda humanitária chegando de diferentes partes do país e também do exterior, mas será necessário muito tempo para que muitas famílias consigam reconstruir suas vidas. Ainda existem muitas pessoas desabrigadas e outras seguem procurando parentes e amigos desaparecidos.”

Segundo Flávia, o clima em todo o país continua sendo de profunda comoção.”As aulas e diversas atividades permanecem suspensas enquanto os esforços estão concentrados no resgate das vítimas e na assistência às famílias. Ao mesmo tempo, impressiona a solidariedade do povo venezuelano. Voluntários, equipes de resgate, organizações e cidadãos comuns estão unidos para ajudar. Em meio a tanta dor, essa união representa esperança.”

Ajuda humanitária

A tragédia desencadeou uma ampla mobilização internacional. Organizações humanitárias ampliaram campanhas de arrecadação para atender às necessidades mais urgentes da população atingida. Entre os itens mais solicitados estão alimentos não perecíveis, água potável, medicamentos, produtos de higiene, cobertores, fraldas e materiais de primeiros socorros. Paralelamente, entidades reforçam que as doações em dinheiro costumam ser a forma mais eficiente de ajuda, pois permitem a compra de suprimentos conforme as necessidades locais.

A ACNUR, agência da ONU para refugiados, lançou apelo de US$ 14,85 milhões para resposta humanitária. A entidade ampliará resposta humanitária com foco em proteção, abrigo temporário e distribuição de itens essenciais para famílias atingidas pelo desastre. Para saber mais, clique aqui.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *