Cinerama | Obsessão: hype merecido

Obsession, Terror, 2025 | Direção: Curry Barker | Classificação indicativa: 18 anos | Duração: 1h48 | Em cartaz nos cinemas
NOTA: ✪✪✪✪
Tem filmes que, de uma hora para outra, se tornam hype e é só assistindo para entender o motivo. É assim com “Obsessão”, terror em cartaz nos cinemas que vem ganhando repercussão no boca a boca e recebendo críticas elogiosas da mídia especializada. Se não fosse por isso, talvez teria passado batido, bem longe do meu radar. Mas resolvi conferir e posso atestar: é tudo isso que estão falando mesmo.
A trama acompanha um jovem chamado Bear (Michael Johnston), romântico incorrigível que trabalha em uma loja de instrumentos musicais. Ele é apaixonado pela amiga e colega de trabalho, Nikki (Inde Navarrette), mas tem medo de se declarar a ela. Um dia, porém, ele decide comprar um brinquedo sobrenatural conhecido como “Salgueiro do Desejo”. E é a partir daí que a coisa começa a ficar medonha.
O objeto concede um desejo ao seu portador e Bear pede para que Nikki o ame mais que tudo. O rapaz recebe exatamente o que pediu, porém, rapidamente percebe que o preço que se paga por certos desejos é mais alto e sombrio do que se esperava. O cenário, então, vai ficando cada vez mais perturbador, fazendo jus ao título.
Segundo longa-metragem do jovem cineasta Curry Barker, a obra vai escalando a cada momento com mais e mais tensão. E aí é preciso tirar o chapéu para o diretor, que acerta em cada escolha, e especialmente à Inde Navarrette, que se entrega de corpo e alma com uma interpretação visceral. Sua Nikki vai do romântico ao grotesco em questão de segundos, causando impacto ao espectador em cada nova cena.
“Obsessão” segue a linha de filmes de terror de sucesso na atualidade, como “A Hora do Mal”, e não se preocupa com eventuais furos de roteiro. Se a história cumprir sua principal função, que é causar susto na audiência, tudo é válido. Isso faz com que o roteiro possa ser livre, um tanto descompromissado, lembrando o jeito antigo de se fazer cinema. Óbvio que o espectador não quer algo feito de qualquer jeito e totalmente inverossímil, mas nesses casos é preciso um pouco de liberdade criativa.
Com baixo orçamento, “Obsessão” já ultrapassou os US$ 100 milhões em bilheteria mundialmente, tornando-o um dos mais rentáveis filmes da história. Isso prova algumas coisas: 1) o gênero de terror está cada vez mais em alta e 2) o público está ávido por histórias originais, sem ligações com franquias de sucesso. E os estúdios parecem estar ouvindo essa demanda, felizmente.

