Espaço Acadil | A Cadeira 30

Completam-se três décadas da criação da Cadeira 30, na ACADIL, momento de celebração do sesquicentenário de nascimento de Tristão Mariano da Costa (1846 – 1908). Na academia de letras, transformar escritores em patronos é buscar compreendê-los melhor, perceber a sua contribuição ao ambiente cultural local. Com este espírito, em 1992, foram escolhidos os primeiros 28 patronos da ACADIL. 

Em 1996, diversas instituições reuniram-se para celebrar Tristão Mariano: Paróquia Candelária, Câmara Municipal e Museu Republicano em parceria com aquelas que abrigavam as grandezas da vida dele: a música e as letras. Assim o Coral Vozes de Itu e a ACADIL se envolveram na celebração. 

A acadêmica Maria de Lourdes Figueiredo Sioli, que estivera quatro anos à frente da Secretaria Municipal de Cultura, liderando importante transformação no fazer cultural da cidade, cumpria mandato na Câmara de Vereadores, com propostas para educação e cultura. Ela organizou as celebrações. Eu era o regente do Vozes de Itu, pesquisador da obra de Tristão Mariano havia dez anos; apoiei as iniciativas, organizamos um programa que deu visibilidade ao compositor, inclusive com o lançamento do jornal UMUARAMA e uma pequena biografia dele.

Havia dificuldade, mesmo entre os entusiastas, em considerar Tristão Mariano além da música; a sua participação nas letras era desconhecida. O levantamento e análise de tudo o que publicou em jornais e almanaques permitiu que eu pudesse participar da reunião da ACADIL, encontro para revelar o escritor Tristão, oferecendo maiores subsídios à criação da Cadeira, em junho daquele ano. Naqueles meses, feita a concorrência, fui eleito e tomei posse em outubro de 1996. 

Desde então, tem havido esforços da ACADIL para divulgar o escritor preocupado com a memória ituana, com questões morais e éticas, intelectual que mudou bastante a sua maneira de pensar, ao longo da vida, de liberal a conservador, mas sempre republicano. 

Tristão foi regente de banda e orquestra, o primeiro a organizar um serviço de formação para a música sacra em Itu, que reuniu a classe dos professores de música, com Elias Lobo, em um congresso em São Paulo. Compôs música para grandes celebrações da vida religiosa, mas também fez arranjos para saraus e concertos, trazendo os modelos do lirismo europeu para cá.

A educação foi o seu meio de vida: manteve externato, lecionou em escola noturna, para jovens pobres, e a meninos ricos no Colégio São Luís. Como vereador, ajudou a idealizar o primeiro grupo escolar paulista; propôs a criação de um sistema de distribuição de água e deu nome à praça principal, homenagem ao mecenas ituano, Padre Miguel.

Ao celebrar 180 anos do seu nascimento com um volume da série Patronos, a ACADIL quer revelar, novamente, os trabalhos e a atuação de um cidadão intensamente envolvido com questões públicas. Bastaria o aspecto de cidadania para prestarmos atenção nesse escritor do passado. 

Luís Roberto de Francisco
Cadeira Nº 30 I Patrono: Maestro Tristão Mariano da Costa

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