A Copa chega ao fim e consagra Messi

A Copa de Messi

Daniel Nápoli | Repórter do JP

Se a Copa do Mundo de 1962 foi a de Garrincha, a de 1970 foi de Pelé, a de 1986 foi a de Maradona, sem o menor exagero podemos dizer que a Copa de 2022 foi a de Lionel Messi.

O seis vezes eleito o melhor do mundo pela FIFA (2009, 2010, 2011, 2012, 2015 e 2019) enfim tem uma Copa do Mundo para chamar de sua, depois de cinco tentativas. Eliminado nas quartas de final em 2006 e 2010, foi finalista em 2014 e caiu com a Argentina nas oitavas em 2018, justamente diante da França, rival na grande decisão de 2022.

Na que deve ter sido a sua “última dança” em mundiais, Messi foi letal. Fez gols, deu assistências, liderou. Ao mesmo tempo, foi Messi e Maradona. Como sempre se esperou.

O dia 18 de dezembro de 2022 entra para a história do futebol como a data em que se fez “justiça”. O futebol “coroou” um de seus maiores gênios. Lionel atingiu o topo da carreira em uma final digna de Copa do Mundo.

Embora em grande parte do torneio os jogos não tenham sido tecnicamente tão bons [como o esperado], a decisão do título valeu a Copa inteira. Uma das finais mais emocionantes [isso para não dizer a mais] da história da competição. O que argentinos e franceses protagonizaram foi o futebol em estado puro. Um prato cheio para o amante do futebol.

Nem Argentina nem a França “aceitavam” perder. Os então defensores do título tinham Mbappé, autor de três gols diante dos hermanos, mas os sul-americanos tinham Messi, tinham Martinez no gol, tinham um Di Maria inspirado e tinham uma equipe que transpirava garra.

Em um torneio em que em muitos jogos se viu o medo de perder ser maior do que a vontade de ganhar, argentinos e franceses colocaram em campo não só o talento, mas personalidade e premiaram o mundo do futebol com um grande espetáculo.

Eleito o melhor em campo em cinco dos sete jogos da Argentina no Catar-2022, Messi – que já não precisava – definitivamente não tem mais nada para provar. Feliz de quem acompanhou sua trajetória até aqui e que poderá desfrutar do restante de sua carreira. O que resta a nós brasileiros é aplaudir e torcer para que possamos voltar aos dias de glória…


A melhor final de todos os tempos

Moura Nápoli | Editor de Esportes do JP

Desde 1970 acompanho Copas do Mundo, ou seja, 14 edições. É evidente que Brasil 4×1 Itália, naquele ano, era a final que estava na minha mente, na minha retina. “ERA”, “ESTAVA”. Porque agora a final de 1970 terá de dar espaço para essa de 2022, na qual Argentina e França fizeram um jogo épico e histórico.

Com a bola rolando, Argentina fazer 2×0, tomar o empate dentro dos 90 minutos e depois, na prorrogação, os “hermanos” passarem a frente e sofrerem novo empate, foi qualquer coisa de enlouquecer em termos de emoção.

Não bastasse isso, se Messi e Di Maria reinaram na primeira etapa, Mbappé chamou a responsabilidade e foi o nome da etapa final, mostrando – tanto Messi quanto Mbappé – que os grandes craques aparecem exatamente nos momentos decisivos. Esses, sim, são os grandes comandantes.

Poucos, acredito, se atentaram para um fato: quando estava Argentina 3×2 França, houve uma penalidade, quando a bola bateu no cotovelo do zagueiro Montiel. Isso tirou a vitória praticamente certa da Argentina e levou o jogo para as penalidades, podendo tornar Montiel o grande vilão.

O zagueiro, entretanto, foi escalado para bater uma das penalidades e foi exatamente o gol dele que decretou o título albiceleste, ou seja: de herói a vilão, de vilão a herói.

E ver Messi praticamente despedindo-se de uma Copa erguendo o título, sem clubismo, sem revanchismo, foi demais. A história estava devendo essa consagração a Messi. Assim como a história ficou devendo um título a Cristiano Ronaldo.

Então, a história foi 50% justa, já que campeão tem de ser um só! Quanto a Mbappé, este que já foi campeão em 2018, ainda terá outras oportunidades de brilhar. E, finalmente, tomara que o Brasil tenha aprendido com tudo isso para, quem sabe, voltar a ser protagonista em 2026!


Uma Copa atípica

André Roedel | Chefe de redação do JP

A Copa do Mundo do Catar ficará marcada como a mais atípica de todos os tempos. Primeiro pelo ineditismo de um Mundial ocorrer no Oriente Médio. Também foi diferente ver uma Copa acontecer no fim do ano, para aproveitar o inverno do Catar. Isso mexeu com tudo que estávamos acostumados, além de impactar na preparação das seleções para a competição.

O ineditismo da Copa também se viu dentro de campo, com novas tecnologias sendo implantadas – a do impedimento semiautomático foi a grande e bem-vinda novidade – e nos resultados históricos e inusitados, como as vitórias de “zebras” como o Japão sobre a Alemanha e a própria Arábia Saudita sobre a campeã Argentina.

E o que falar da campanha de Marrocos? O país africano, de maioria islâmica, ganhou a simpatia de todos e alcançou a fase semifinal – feito inédito para uma seleção da África.

Realizada em um pequeno país de pouco mais de 11 mil quilômetros quadrados, a Copa do Mundo de 2022 também foi a mais compacta de todas, com estádios próximos um do outro – uma maravilha para a logística. Mas não podemos esquecer que a Copa de 2022 foi realizada em uma ditadura fundamentalista.

As Nações Unidas identificaram diversas violações aos direitos humanos cometidas pelo Catar. Foram inúmeros os relatos de trabalhadores mortos durante as obras de construção dos estádios, direitos das mulheres violados e o completo desrespeito às pessoas LGBTQIA+ – prova disso foi o absurdo veto a uma braçadeira que exaltava o amor.

Por tudo isso, a Copa 2022 ficará marcada como atípica. Se dentro de campo vimos grandes jogos, “zebras” e a coroação eterna de Messi, fora deles vimos a tentativa de um regime ditatorial abrandar sua imagem para o Ocidente, mas sem sucesso.