Câmara de Itu relata ocorrência envolvendo visitante e agente de segurança

Um boletim de ocorrência registrado por um agente de segurança da Câmara de Itu foi lido pelo presidente da Casa, Neto Beluci (Republicanos), durante a 20ª Sessão Ordinária, realizada na tarde de terça-feira (23). O documento relata um desentendimento envolvendo uma mulher trans e um servidor do Legislativo, ocorrido no último dia 11 de junho.
De acordo com o boletim, por volta das 12h30, a mulher, identificada como Daniela Rafaela da Silva, esteve na Câmara para falar com a vereadora Patrícia da ASPA (PSD). Em seguida, teria se dirigido ao gabinete da vereadora Elaine do Posto (Democrata) sem ser anunciada, permanecendo no local por alguns minutos. Posteriormente, também teria ido aos gabinetes dos vereadores Eduardo Alves (PSB) e Eduardo Ortiz (MDB) sem a devida autorização.
Conforme as normas internas da Câmara, todos os visitantes devem se identificar na portaria, assinar o livro de presença e aguardar que o gabinete desejado seja comunicado para autorizar a entrada. Segundo o relato do agente de segurança Anderson Regis Cardia Mello, a visitante teria acessado diferentes gabinetes sem comunicar a portaria e sem seguir os procedimentos estabelecidos.
Ao perceber a situação pelas câmeras de monitoramento, o servidor afirmou que abordou a mulher e orientou que retornasse à recepção para que fosse devidamente anunciada. Ainda de acordo com o boletim, a visitante teria se sentido ofendida, proferindo palavras de baixo calão contra o funcionário e o agredindo com uma bolsa.
Diante da ocorrência, uma viatura da Guarda Civil Municipal (GCM) foi acionada, já que o guarda que fica de plantão estava de falta abonada, e ambas as partes foram encaminhadas à delegacia para prestar esclarecimentos. Segundo o relato lido, o boletim de ocorrência não foi registrado naquele momento, e a mulher foi orientada a respeitar as normas do Legislativo e, se possível, evitar novas visitas à Câmara.
A mulher, por sua vez, alega ter sido vítima de preconceito e homofobia. Já o servidor informou que posteriormente optou por registrar um boletim de ocorrência de forma online para resguardar seus direitos. Até o momento, não há informações sobre a abertura de investigação ou apresentação de denúncia formal em relação ao caso.
Repercussão
O caso gerou repercussão na Câmara de Vereadores. Moacir Cova (Podemos), Rebert do Gás (União Brasil) e Eduardo Ortiz apresentaram moção de congratulação ao servidor, em reconhecimento à “postura exemplar, equilíbrio emocional e elevado profissionalismo” demonstrados durante o ocorrido. Cova chegou a dizer que o episódio envolveu um “indivíduo que se diz de outro gênero”, que expôs a Câmara ao rídiculo. Ele também criticou que a Câmara não teria dado amparo legal ao servidor para o auxiliar na ocorrência na delegacia.
A fala de Cova motivou a leitura do documento pelo presidente da Câmara, informando que são episódios como esse que reforçam a necessidade da presença da GCM no prédio. Beluci também afirmou que não houve omissão do Legislativo, mas sim da delegacia, cujo escrivão teria orientado não ser necessário a lavratura de boletim de ocorrência.

