Cinerama | Hokum: O Pesadelo da Bruxa

NOTA: ✪✪✪

Em um período particularmente fértil para o cinema de terror, “Hokum: O Pesadelo da Bruxa”, do diretor Damian Mc Carthy, acabou passando relativamente despercebido. E não sem motivo. Embora reúna qualidades que demonstram o talento do cineasta para criar atmosferas sombrias e desconfortáveis, o filme esbarra em problemas de roteiro que impedem a obra de atingir todo o seu potencial.

A trama acompanha Ohm Bauman, interpretado por Adam Scott, um escritor recluso que viaja para uma pousada isolada na Irlanda para cumprir o último desejo dos pais falecidos. O cenário melancólico e o peso emocional do luto oferecem um ponto de partida promissor para uma história que mistura trauma psicológico, elementos sobrenaturais e segredos do passado. Mc Carthy demonstra habilidade ao construir uma ambientação opressiva, utilizando corredores vazios, paisagens cinzentas e uma sensação constante de estranhamento para envolver o público.

Boa parte do mérito do filme está justamente nessa atmosfera. O diretor entende que o terror nem sempre depende de monstros ou aparições explícitas, mas também da expectativa e da inquietação. Além disso, Adam Scott entrega uma atuação sólida, equilibrando vulnerabilidade, sarcasmo e ironia em um protagonista que carrega tanto o peso da perda quanto uma dose de ceticismo diante dos acontecimentos cada vez mais perturbadores ao seu redor.

O principal problema de “Hokum” está em sua estrutura narrativa. O roteiro parece determinado a explorar múltiplos mistérios simultaneamente, introduzindo subtramas e personagens que nem sempre contribuem para o desenvolvimento central da história. O resultado é uma obra que tenta abraçar muitos temas ao mesmo tempo sem aprofundar adequadamente nenhum deles. Em diversos momentos, a sensação é de que o filme perde o foco.

Outro ponto que enfraquece a experiência é a escassez de sequências realmente impactantes. Apesar de criar expectativa e sugerir perigos constantes, “Hokum” raramente entrega momentos capazes de provocar sustos memoráveis ou cenas que permaneçam na mente do espectador após os créditos finais. Não se trata de um filme ruim. Pelo contrário: há competência técnica, boas interpretações e ideias interessantes. Contudo, falta aquele elemento diferenciador que transforma um terror competente em uma experiência marcante.

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