Cinerama | Homem-Aranha: Um Novo Dia

Spider-Man: Brand New Day, Ação/Aventura, 2026 | Direção: Destin Daniel Cretton | Classificação indicativa: 12 anos | Duração: 2h25 | Em cartaz nos cinemas
NOTA: ✪✪✪✪
Após quase cinco anos de espera, o Homem-Aranha ganha um novo filme, e a expectativa era enorme. Felizmente, “Homem-Aranha: Um Novo Dia” consegue superá-la. Divertido e emocionante, o longa acerta em cheio ao entregar tudo o que os fãs do Cabeça de Teia gostariam de ver nas telonas, sem abrir mão de contar uma boa história, sustentada por atuações consistentes e um roteiro bem construído.
Neste quarto filme solo do personagem integrado ao Universo Cinematográfico da Marvel, vemos um Peter Parker (Tom Holland) quebrado, sem rede de apoio, sem família e sem amigos – consequência do apagamento de sua identidade provocado pelo Doutor Estranho no desfecho de “Homem-Aranha: Sem Volta para Casa”.
Com isso, Peter passa praticamente 24 horas por dia sob a máscara, atuando como o Amigão da Vizinhança pelas ruas de Nova York. Mas esse estilo de vida cobra um preço: uma nova mutação em seus poderes faz com que seu sentido de aranha comece a se descontrolar. A partir daí, ele busca uma solução para o problema enquanto enfrenta o crime e precisa lidar com uma nova e misteriosa ameaça, que coloca seus antigos amigos em risco. E é aqui que a sinopse termina, para evitar qualquer spoiler.
O filme retrata muito bem esse novo momento vivido pelo herói, ainda marcado pelo trauma da morte de sua tia May (Marisa Tomei) e pela solidão de não poder conviver com seus amigos, especialmente MJ (Zendaya). Esse estado emocional se reflete diretamente na instabilidade de seus poderes, tornando-o mais introspectivo e agressivo.
Tom Holland entrega, na minha avaliação, sua melhor atuação como o principal herói da Marvel, superando até mesmo as interpretações de atores que vestiram o uniforme vermelho e azul anteriormente. O elenco de apoio também se destaca, mas Jon Bernthal merece uma menção especial. Seu Justiceiro divide a cena com o protagonista em momentos de grande intensidade e rende algumas das melhores sequências do filme.
O diretor Destin Daniel Cretton representa um enorme ganho para a franquia. Seu trabalho é claramente superior ao de seu antecessor, Jon Watts, sobretudo na condução das cenas de ação. As sequências do Homem-Aranha balançando entre os prédios de Nova York são um espetáculo à parte e demonstram forte influência dos aclamados jogos da franquia para PlayStation.
Quebrando recordes de bilheteria desde a estreia, “Homem-Aranha: Um Novo Dia” prova que ainda há espaço nos cinemas para filmes de super-heróis que não tenham vergonha de abraçar sua essência, sem deixar de respeitar o espectador – seja ele fã de longa data ou alguém que apenas procura uma boa história.

