Cinerama | Mestres do Universo: sem medo de abraçar a galhofa

Masters of Universe, Ação/Ficção científica, 2026 | Direção: Travis Knight | Classificação indicativa: 14 anos | Duração: 2h24 | Disponível no Prime Video
NOTA: ✪✪✪
Com a nostalgia em alta, é cada vez mais comum ver os grandes estúdios de Hollywood apostarem pesado em filmes baseados em desenhos animados, histórias em quadrinhos e até brinquedos que marcaram a infância do público consumidor de hoje. Sendo assim, era apenas uma questão de tempo até que He-Man voltasse às telonas. E digo “voltasse” porque uma primeira tentativa já havia sido feita em 1987, com Dolph Lundgren no papel principal.
O novo “Mestres do Universo” estreou em junho, mas não alcançou o sucesso esperado. Talvez pela falta de investimento em publicidade, talvez porque o público esteja cansado desse tipo de adaptação. Seja como for, o longa da Amazon MGM Studios chegou recentemente ao catálogo do Prime Video e vem conquistando os espectadores.
Isso porque o filme dirigido por Travis Knight (de “Bumblebee”) não tem medo de abraçar a galhofa e entrega uma aventura honesta, com boas cenas de combate e a dose certa de nostalgia. A produção consegue agradar aos fãs da clássica linha de brinquedos da Mattel, que deu origem à animação dos anos 1980, ao mesmo tempo em que apresenta o universo de Eternia para uma nova geração.
A trama acompanha o Príncipe Adam (Nicholas Galitzine), exilado na Terra após perder a Espada do Poder. Quase duas décadas depois, ele recupera o artefato, retorna a Eternia e assume o destino de He-Man para salvar seu povo das forças do vilão Esqueleto (Jared Leto).
As interações entre Adam e seus aliados, como Mentor (Idris Elba) e Teela (Camila Mendes), são um dos pontos altos do filme. Galitzine demonstra ótimo timing cômico, mas também convence nos momentos mais heroicos. Suas sequências na Terra rendem algumas das cenas mais divertidas da produção.
Talvez o maior problema de “Mestres do Universo” seja o excesso de personagens. Praticamente todo o panteão de heróis e vilões de Eternia foi incluído no roteiro, o que acaba reduzindo o tempo de tela de muitos deles. Eu, por exemplo, gostaria de ter visto mais da Maligna, interpretada pela excelente Alison Brie, e da Feiticeira, vivida por Morena Baccarin.
O filme está longe de ser perfeito – há erros de continuidade bastante evidentes, por exemplo –, mas conquista o espectador ao entregar uma história simples, repleta de ação, divertida e, acima de tudo, com muito coração. Afinal, muitas vezes, o básico bem executado é tudo o que um filme precisa para funcionar. Fico na torcida por uma sequência, porque essa franquia ainda tem muito potencial.
