Cinerama | O Diabo Veste Prada 2: continuação de qualidade

The Devil Wears Prada 2, Comédia dramática, 2026 | Direção: David Frankel | Classificação indicativa: 12 anos | Duração: 1h59 | Em cartaz nos cinemas
NOTA: ✪✪✪✪
O primeiro “O Diabo Veste Prada” é daqueles filmes que se tornaram “clássicos modernos”. Não tanto pela sua história, mas pelo seu casting maravilhoso e temática, que causou impacto cultural. Anne Hathaway ainda não era a estrela que viria a ser, mas já mostrava seu talento. E Meryl Streep dispensava apresentações. Sua Miranda Priestly cheia de si (e de cinismo) é poderosa e magnética, tornando o filme tão memorável e icônico.
Apesar disso, não sou tão fã do primeiro. Acho o ritmo e algumas escolhas da direção de David Frankel equivocadas. E era isso que eu temia na continuação recém-lançada. O primeiro terço de “O Diabo Veste Prada 2”, aliás, já me deixou com receio, já que para mim tudo não passava de um quase remake do original, mas com um ritmo frenético que me pareceu pensado para a “geração TikTok”.
Mas logo as coisas foram se encaixando nos trilhos e posso dizer sem medo que essa é uma das raras sequências que superam o primeiro capítulo. Na nova trama, lidando com o colapso do jornalismo, Miranda precisa enfrentar ainda mais um obstáculo: sua antiga secretária Emily (Emily Blunt), que, agora, é uma executiva de alto escalão numa marca de luxo, tomando as decisões publicitárias da grife e, por isso, entrando no caminho da manda-chuva da revista “Runway”.
Para resolver a questão jornalística e o impasse com os anunciantes, Andy (Hathaway) retorna à revista, dessa vez como editora. Isso provoca conflitos irresistíveis entre ela e Miranda, o que gera a sensação de nostalgia tão procurada pelos espectadores. E são as discussões do rumo do jornalismo que mais me fisgaram (o que é um tanto óbvio). Em um mundo cada vez mais digital, em que a imprensa profissional é dia após dia massacrada e substituída por influencers e inteligência artificial, ver um debate como esse em um blockbuster é um alento.
As atuações seguem sendo o ponto fora da curva nesta sequência, com Streep ainda brilhando, mesmo com o peso da idade mais evidente. E dessa vez é Hathaway, mais experiente e consolidada em Hollywood, que se destaca, assim como a hilária personagem de Blunt. Stanley Tucci, como o fiel escudeiro de Miranda, Nigel, também tem momentos importantes e falas marcantes.
Mesmo com o ritmo apressado do início e algumas facilidades no roteiro, “O Diabo Veste Prada 2” mostra que ainda é possível fazer continuações de qualidade no mar de falta de originalidade do cinema comercial atual.

