Espaço Acadil | O último gol vence!
“Dedicado, com alma e coração, ao Fefeo Oliveira, um querido amigo, de quem guardo a maravilhosa imagem, até hoje, do jovem alegre, carregando, pelas ruas do bairro, um lindo par de chuteiras, penduradas no pescoço.”
A rua era o campo,
As calçadas, abrigavam as torcidas,
As casas, com suas janelas elegantes, eram os camarotes,
O bar da esquina, a garantia da água torneiral (em copos americanos),
Os tijolos da construção próxima, as bases do gol,
A roupa da escola, o mais lindo dos uniformes,
O dono do bar era o juiz, e os fregueses (bêbados), os auxiliares e a torcida,
As mães, marcadoras do tempo,
O pai do Pedro, o caminhoneiro, era o “guardião” da bola, presente de natal.
O campeonato se estendia pelo ano todo, com recesso no inverno – as marcadoras
do tempo eram rigorosas neste quesito,
Eram crianças, depois jovenzinhos e, como era fatal, cresceram.
Uma tarde, depois de um jogo “zero a zero”, eles concordaram que ganharia quem fizesse
o último gol…O jogo ficou no “zero a zero”,
Era o último jogo antes do inverno…
Pela manhã, a caminho da escola, viram o pai do Pedro, o caminhoneiro, passando com
a mudança, e a bola colorida nas mãos do Pedro…
As calçadas, as construções, o bar da esquina, os bêbados e os equilibristas, ficaram distantes
O jogo ficou no “zero a zero”, mas eles partiram para outros campeonatos, e foram vitoriosos, todos eles, foram vitoriosos…
Sidarta Martins
Cadeira Nº 20 I Patrono: Luís da Silveira Moraes

