Entre receitas e superstições, moradores de Itu mantêm tradições durante a Copa

Fernanda Morais desde 2018 prepara pratos típicos dos adversários do Brasil em Copas do Mundo (Foto: Arquivo pessoal)

A Copa do Mundo vai muito além dos 90 minutos em campo. Para muitos brasileiros, o torneio representa um momento de união, celebração e manutenção de tradições. Em Itu não é diferente. Entre receitas internacionais preparadas especialmente para os jogos da Seleção Brasileira e camisas consideradas amuletos da sorte, moradores da cidade mantêm vivos costumes que tornam o Mundial ainda mais especial.

A historiadora Fernanda Morais é uma dessas apaixonadas pela atmosfera que envolve a competição. Desde a infância ela associa a Copa do Mundo a encontros familiares, churrascos, pipoca e muita confraternização. Embora admita que costumava torcer pelos adversários da Seleção Brasileira, a paixão pelo torneio sempre esteve presente. “Desde que eu me conheço por gente, a Copa do Mundo na minha casa é sinônimo de festa, reunião da família e amigos”.

Foi durante a Copa do Mundo de 1998, realizada na França, que surgiu uma de suas lembranças mais marcantes. Encantada pelo país europeu após desenvolver um trabalho escolar sobre o tema, Fernanda chegou a vestir uma camiseta da seleção francesa na final disputada contra o Brasil.

Cévapi, um rolinho de carne bem condimentado servido com ajvar uma pasta de pimentão assado, receita sérvia feita por Fernanda na Copa de 2022 (Foto: Arquivo pessoal)

Anos depois, sua paixão pela gastronomia e pelo futebol se uniram em uma tradição bastante peculiar: preparar pratos típicos dos países adversários da Seleção Brasileira durante cada partida.

A ideia nasceu em 2018, quando ela decidiu transformar os jogos em uma verdadeira viagem gastronômica. Naquele Mundial, os convidados experimentaram pratos como a tradicional batata rösti suíça e o clássico moules et frites, típico da França e da Bélgica.

O desafio ganhou ainda mais força na Copa de 2022. O cardápio passou por países como Sérvia, Suíça, Camarões, Coreia do Sul e Croácia, com receitas pesquisadas minuciosamente e preparadas especialmente para cada confronto. Entre os destaques estiveram o Cévapi sérvio, o Ndolé camaronês, os populares Corn Dogs sul-coreanos e o tradicional Burek croata.

Para a Copa do Mundo de 2026, a tradição continua. Fernanda já definiu o cardápio dos jogos da fase de grupos da Seleção Brasileira. Contra Marrocos, os convidados experimentarão espetinhos de cordeiro chamados Qotban e o doce Kaab al Ghazal. No duelo diante do Haiti, haverá o tradicional patê Ayisyen, acompanhado de um bolo amanteigado conhecido como Gato. Já para o confronto contra a Escócia, a inspiração virá dos famosos Scotch Eggs e da sobremesa Millionaire’s Shortbread.

Um dos diversos pratos preparados por Fernanda para acompanhar os jogos da Copa do Mundo (Foto: Arquivo pessoal)

Enquanto alguns apostam na gastronomia para dar sorte ao Brasil, outros mantêm rituais mais simples, mas igualmente importantes. É o caso do cabeleireiro Sérgio Silva. Desde a Copa do Mundo de 1998, ele acompanha os jogos da Seleção vestindo a mesma camisa azul, considerada por ele um verdadeiro amuleto.

“Sempre assisto aos jogos com a camisa azul da sorte. Embora na última Copa não tenha dado tanta sorte assim”, brinca o torcedor ao JP. Independentemente do resultado dentro de campo, histórias como as de Fernanda e Sérgio mostram que a Copa do Mundo continua sendo uma das maiores manifestações culturais do país, transformando cada edição do torneio em uma experiência única.

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