Arte que transforma: Itu celebra o Dia do Artista Plástico com cenário pulsante

Na sexta-feira (08) foi comemorado o Dia do Artista Plástico, data em homenagem ao ituano José Ferraz de Almeida Júnior (nascido em 08 de maio de 1850) que reforça a importância de Itu na história das artes brasileiras. Reconhecido como um dos maiores pintores do século XIX e referência do realismo nacional, Almeida Júnior deixou um legado que segue inspirando gerações de artistas da cidade e de todo o país.

Além do mestre ituano, a trajetória das artes plásticas em Itu também é marcada por nomes que ajudaram e/ou ainda ajudam a fortalecer a produção cultural local ao longo das décadas. Entre eles estão Maria Célia Brunello Bombana, João Bernardi, Marcia Nunes, Segirson de Freitas, Rita Biaggio, Luciano Luz, Paulo Lara, Guilherme Kramer, Fábio Marqui, Raquel Fayad, Márcio Amâncio e Gabriel Ambrósio, entre tantos outros.  

O Periscópio conversou com três artistas plásticos de Itu, que deixam suas marcas por meio de suas obras na cidade. À reportagem, eles comentam a respeito das artes plásticas e sua importância.

José Maria Rodrigues Vieira, o “Dom Espirro I”, mantém viva a relação com a arte construída ao longo de toda a vida (Foto: Arquivo pessoal)

Aos 89 anos, o artista plástico José Maria Rodrigues Vieira, conhecido artisticamente como “Dom Espirro I”, mantém viva a relação com a arte construída ao longo de toda a vida. Com experiência em feiras e espaços culturais importantes, como a Praça da República, em São Paulo, o vão livre do MASP e a tradicional feira de Embu das Artes, ele define a arte como algo essencial à existência humana.

“O mundo sem arte é um mundo vazio”, resume o artista. “A arte está em todos os pontos de vista do mundo. Em todas as áreas de trabalho existe arte: na indústria, na medicina, na farmácia, em tudo.” Espirro afirma que sua produção artística nunca esteve ligada à competição, mas sim à contemplação. “Eu não pinto para competir, eu pinto para contemplar”, destaca.

Rose Canazzaro também relembra uma trajetória marcada pela arte desde a infância (Foto: Arquivo pessoal)

A artista plástica Rose Canazzaro também relembra uma trajetória marcada pela arte desde a infância. Inspirada pelas cores, pelos bordados da mãe e pela pintura do pai, ela transitou por diferentes linguagens artísticas até consolidar sua atuação nas artes plásticas. “Desde criança existia essa necessidade de dar forma ao que estava dentro de mim”, afirma. “A pintura sempre esteve presente como um desejo muito mais profundo.”

Ao longo da carreira, Rose participou de exposições em diversas cidades brasileiras e também no exterior, alcançando repercussão com a série “Planeta Água”, inspirada no fundo do mar. Segundo ela, a maturidade artística veio com o desenvolvimento de uma linguagem própria e com a inserção em circuitos nacionais e internacionais de arte.

“Hoje compreendo que esse caminho já estava presente desde o início da minha vida e continua sendo construído ao longo dela, em constante aprimoramento”, destaca a artista, que também atua em projetos solidários por meio da doação de obras de arte para instituições do Brasil, Europa e África.

Rafael Vieira vê em Almeida Júnior uma das principais referências de sua produção (Foto: Daniel Nápoli)

Representando uma geração mais recente das artes plásticas ituanas, o artista Rafael Vieira vê em Almeida Júnior uma das principais referências de sua produção. Admirador da pintura brasileira do século XIX, ele destaca a identificação com a estética e com o cotidiano retratado pelos artistas nacionais. “Almeida Júnior, para mim, está no topo”, afirma. “Minha pesquisa hoje tenta puxar esse fio da vida do interior, da cidade, do cotidiano.”

Rafa Vieira, como é conhecido, conta que o contato com a arte aconteceu de maneira diferente da maioria dos artistas. Antes da pintura, trabalhou em tapeçaria, marcenaria e design gráfico, até encontrar na tinta a óleo a linguagem que transformaria sua vida. “Hoje eu vivo em função da pintura. Tudo que eu vejo passa pelo olhar da arte. Você começa a olhar o mundo pensando em composição, luz, cor e possibilidades.”

Além da produção autoral, Rafa também atua como professor de pintura em Itu, compartilhando conhecimento com novos alunos e fortalecendo a cena artística local. Para ele, a arte é uma poderosa forma de comunicação. “Às vezes está tudo falado, mas uma imagem consegue transmitir algo maior. A arte transforma a maneira como a gente vê o cotidiano”, conclui.

Entre tradição e contemporaneidade, Itu segue reafirmando sua forte ligação com as artes plásticas, mantendo vivo o legado iniciado por Almeida Júnior e perpetuado por diferentes gerações de artistas que ajudam a construir a identidade cultural da cidade.

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